, Vol. 13, No 1 (2007)

Tamanho da fonte:  Menor  Médio  Maior

Temporalidade e produção do acontecimento jornalístico




RESUMO
O tempo é um conceito central na produção da notícia. Este artigo explora a organização temporal como uma dimensão de análise na produção do acontecimento jornalístico e questiona a idéia de “presentismo”, aquele presente onipresente segundo Hartog. Como compreender esse fenômeno no discurso do jornalismo? A idéia central do jornalismo não é a redução do presente. A abordagem examina a maneira como a temporalidade integra o sistema de regras que define a especificidade da enunciação jornalística para sistematizar o mundo e produzir o tipo de sentido culturalmente relacionado à informação de atualidade.
PALAVRAS-CHAVE: Acontecimento jornalístico. Temporalidade. Presentismo


Notas introdutórias

Tempo e temporalidades já são de alguma data objeto de certo modismo intelectual, com amplo espaço e apelo no ambiente da mídia e em toda sorte de literatura voltada para a “boa” gestão da vida cotidiana (auto-ajuda e afins). Nesse “mercado de idéias” faz sucesso a tematização de uma crise das sociedades lastreadas em maneiras de lidar com o tempo que criam “tiranias” e “doenças” decorrentes do culto da “pressa” e do “imediato”. Mas também é verdade que tais indagações são objeto de uma reflexão continuada e sistemática em áreas do conhecimento de larga tradição, principalmente a Filosofia e a História, e que também contemporaneamente são fruto de um esforço intelectual interdisciplinar, de um conjunto de saberes em torno das diferentes disciplinas científicas (ver em especial ADAM , 2003; SANTOS , 2003; ELIAS , 1998; URRY , 2000).

Por isso, é preciso de partida situar essa possibilidade de pensar a informação e a temporalidade. Tétu lembra que “a experiência do tempo e sua representação constituem duas realidades muito distintas” (2000, p.91). Vivemos no cotidiano um sem número de situações em que as idéias de sucessão, repetição e ordem se multiplicam ao infinito para articular cada existência pessoal e permitir a vida social. Mas conceber esses processos como temporais supõe “a construção de um sistema que estrutura a experiência em representação” (CHARAUDEAU, 1992, apud TÉTU, 2000, p.92). Em geral, três grandes modalidades de representação do tempo têm operado na história da humanidade:

a) os sistemas religiosos e míticos, baseados na idéia de origem, no problema da finitude e na articulação, por meio de ritos e mitos, entre o tempo vivido e um tempo absoluto;

b) a própria invenção da idéia de História, que busca apreender o movimento da sociedade por meio de uma racionalização do tempo, pela construção da idéia de gerações no tempo e pela produção de uma leitura e significação do passado por meio de seus vestígios; e

c) aquilo que normalmente nomeamos de ficção, que produz uma imagem do tempo vivido em geral em contraposição ao conhecimento histórico e sua postulação de linearidade e seqüência. [1]

Tétu sustenta a hipótese de que a informação produzida no sistema midiático poderia significar uma nova possibilidade de relação da sociedade com o tempo. A idéia , a partir da modernidade, de um mundo fundado em permanente mudança e não mais apenas sobre um tempo cíclico ou ritualizado coloca a percepção dos acontecimentos como central à experiência cotidiana. E os acontecimentos são como que matéria prima da ação dos meios de comunicação de massa.

Nossa pretensão, bem mais modesta, é a de pensar o regime temporal que contemporaneamente articula o discurso jornalístico e verificar em que medida as articulações entre três elementos essenciais da representação da experiência do tempo – as noções de passado, de presente e de futuro – já não se fazem aí tão evidentes. Gostaríamos de verificar se, em lugar da perspectiva teleológica, em que uma clara inteligibilidade do regime de experiência temporal alicerçado na idéia de que o passado iluminava o futuro ou que o futuro como promessa justificava as coisas presentes (HARTOG , 2005), teríamos um regime de “presentismo”, de apologia do instante, no qual a mídia joga um papel importante ao produzir permanentemente certo tipo de equivalência entre tempo presente e atualidade.

O “presentismo” teria raízes em um fenômeno de percepção difusa da diminuição do sentido histórico em favor de um horizonte restrito somente ao presente. Muitas vezes associado à dinâmica dos meios de comunicação e seu fluxo ininterrupto e dantesco de informações que vincularia os indivíduos a uma imediaticidade do “tempo real”, o elemento chave é a formação de um hábito cultural marcado pelo choque e repetitividade: “[...] mesmo o novo parece assim surgir e declinar ao reclame do eterno retorno do igual” (BODEI , 2001, p. 72).

Nesse sentido, estamos tomando como hipótese que a manifestação do “presentismo” na notícia está relacionada com certa perda da faculdade de discernir critérios para associar a temporalidade ao relato jornalístico. Ao invés de operar como um critério que ao mesmo tempo permite selecionar e singularizar elementos relevantes dos fatos relatados, a temporalidade é tomada como um mero dispositivo de ativação da atualidade da notícia pela sua equivalência com o presente histórico.

Assim, o “presentismo” aparece como uma constatação de que a perspectiva temporal que alicerçou a forma como na vida moderna percebemos o mundo – não apenas de maneira individual, mas fundamentalmente em termos sociais – baseada em uma idéia de passado, presente e futuro, de um ontem, de um hoje e de um amanhã, se manifesta em certa crise. A própria idéia de que a sociedade contemporânea é definida pelo “risco”, conforme formulação do sociólogo Ulrich Beck, está assentada nessa noção quando uma idéia de futuro toma o lugar do passado na determinação causal do tempo presente, quando há uma dominância do futuro na perspectiva histórica. Não se trataria de um mero estado da incerteza sobre os destinos do mundo – traço que caracteriza a história da humanidade, mas de uma noção historicamente fundamentada que indica a maneira como isto é agora compreendido ou explicado. [2]


Sua análise ressalta a transformação crucial em curso na própria noção de tempo, acentuando que a consciência do risco repousa não no presente, mas no futuro: em conseqüência, é necessário projetar o que virá depois a fim de determinar e organizar (agora) as ações. Esse segundo ponto deve ser enfatizado: para prevenir riscos, o futuro deve ser antecipado, de forma a gerar ações preventivas no presente. Dessa forma, mesmo considerando que, como no passado, o futuro ainda aparece como dimensão importante, hoje, é o presente o tempo acentuado, enquanto, anteriormente, o futuro a ser construído aparecia como a dimensão temporal forte. [...] o nosso seria um tempo de dissolução dos elementos que, há pelo menos três séculos, tem constituído a base temporal em que ocorrem os processos sociais. Essa constatação sugere estar em curso uma assustadora re-significação do tempo, caracterizada pela crescente desvalorização cultural do passado, a progressiva perda de perspectiva e de esperança em relação ao futuro, e a acentuação exasperada da vivência do presente, preenchido exaustivamente. (OLIVA-AUGUSTO , 2002, p.31-32).

Tal quadro incide fortemente no ambiente midiático, em particular no discurso da informação jornalística. Por se tratar de um discurso da atualidade, a notícia estará certamente representando tais modificações ao mesmo tempo em que delas é um vetor fundamental. A atualidade produzida no e pelos textos jornalísticos (doravante, do discurso da informação na mídia em geral) passa a ser o leito dessa crença coletiva na existência de uma temporalidade social sincrônica. “Esta coexistência temporal dos itens em um mesmo suporte de informação é que se chama a atualidade. Vê-se bem, a partir da variação considerável do tempo de validade do jornal, que não há duração objetiva da atualidade”. (TÉTU , 1993, p.718).

Para Vitalis (2005), essa forma de presente no discurso da informação seria marcada por três características principais: é um presente “ofegante”, “fabricado” e “sobrecarregado”. No primeiro caso é um presente “[...] em que o acontecimento caça o acontecimento e onde a informação dada é relevante apenas durante um curto lapso de tempo” (VITALIS, 2005, p.13). A boa informação é sempre a próxima. Já a natureza de presente fabricado diz da necessária vinculação desse tempo produzido pela máquina midiática ao trabalho de uma comunidade interpretativa (PONTE , 2005; TRAQUINA , 2005), agentes que partilham saberes, crenças, procedimentos e modos de interpretação do mundo social no processo de produção do relato da atualidade e submetidos eles mesmos a uma rotina produtiva organizada em torno de um certo quadro temporal. E por fim, trata-se de um presente sobrecarregado por, ao mesmo tempo, recolher e alimentar uma avalanche de acontecimentos que organiza o universo dos agentes sociais, saturar a experiência social de “eventos presentes”.

Assim, se a princípio assumimos nesse trabalho o caráter estruturante da dimensão temporal para a forma do jornalismo, vendo no presente o veio característico do discurso da informação, gostaríamos, por um lado, de problematizar a sinonímia entre presente e atualidade que muitas vezes parece vir contrabandeada em muitas abordagens teóricas. Assim procedendo, parece-nos que se alimenta uma referência ao “presentismo”, de início apontado como esse achatamento dos regimes temporais – em sua pluralidade e diversidade – em prol de um presente que se vê apenas sob o signo do imediatismo, da pressa, da derrisão para com o passado, da irresponsabilidade com o futuro (SANTOS, 2003; ADAM, 2003), vistos como simples decorrência do presente.


2 O Acontecimento e a estruturação temporal da atualidade

A compreensão da estrutura temporal de construção do acontecimento jornalístico pode ser referida a três níveis: a temporalização proporcionada pela trama da narrativa; a perspectiva temporal verificada ao nível da enunciação e as referências temporais acionadas para a caracterização do acontecimento (ARQUEMBOURG , 1996). Na sua articulação tais dimensões permitem que se identifique, relate e interprete um acontecimento jornalístico.

A caracterização temporal do acontecimento no jornal impresso deve ser implicada na figura sugerida por Tétu (2000) de um futuro anterior [3] que se dá não apenas na narrativa, mas se antecipa no próprio enquadramento e na estrutura de captura do acontecimento construída pela instância midiática. Os valores-notícia e os enquadramentos que são operados em cada veículo ficam “a espreita” do acontecimento, o que faz com que sua aparição seja bem menos ligada a uma idéia de ruptura como normalmente se associa.

Sodré (2004) aponta que nas definições tradicionais do jornalismo, aquelas que estão muitas vezes presentes nos guias de orientações da prática profissional ou nas teorias que tomam a notícia como espelho do real, o acontecimento jornalístico aparece referido às formas de classificação da notícia quanto ao tempo e modo de ocorrência: “(a) previstas –– aquelas que nos permitem um conhecimento antecipado, anunciado com antecedência; (b) imprevistas –– as de caráter inesperado, como crimes, incidentes, incêndios, etc; (c) mistas –– as que reúnem, numa só informação, o previsto e o imprevisto” (BAHIA apud SODRÉ , 2005). É curioso como tal tipologia se assemelha à que Charaudeau, no âmbito da análise do discurso, produz para caracterizar o processo de seleção do acontecimento ativado pelas mídias. Segundo Charaudeau, critérios externos definem o “modo de aparição do acontecimento”: “o acontecimento surge em sua factualidade, com um caráter inesperado”; “o acontecimento é programado” a partir de um sistema de expectativas que organiza o desenvolvimento da vida social; e “o acontecimento é suscitado, provocado por campo social diferente do domínio das mídias” (CHARAUDEAU , 2006, p.138). A primeira vista, ocorreria aqui certo paralelismo de uma concepção algo naturalista do acontecimento, fortemente engendrada pelo próprio discurso da mídia de informação e que, conforme indica Sodré, induz a uma percepção do acontecimento tão somente como ruptura, entendida como emergência do novo. Charaudeau, entretanto, também lembra os critérios internos – afeitos à instância midiática – necessários à definição do acontecimento e que organizam um conjunto de valores voltados para a sua captura e produção como algo inteligível. Ocorre, assim, que o jornalismo também opera exatamente em direção oposta à essa idéia de ruptura, promovendo a integração do “novo” às categorias do já existente, como construído pelo sistema de informação e pela própria experiência social. Há, pois, uma figuração dos acontecimentos com base em uma estrutura arquetípica, há um padrão que retém alguns acontecimentos e despreza outros, os fatos visam os acontecimentos procurando de certa maneira estabilizá-los.

A compreensão do acontecimento demanda então que se perceba que a relação intrínseca entre acontecimento e acontecimento jornalístico não os torna fenômenos equivalentes. De um ponto de vista fenomenológico, “um acontecimento é antes de tudo uma ruptura dentro de uma ordem de coisas”, lembra Arquembourg-Moreau(2003, p.28). Do ponto de vista biográfico ou histórico, um acontecimento pode implicar uma quebra de expectativas, uma abertura para possibilidades não previstas. Mas a mídia faz emergir um acontecimento a partir de um “processo evenemencial” [4] , no qual a desordem semeada pelo acontecimento, sua imprevisibilidade, é posta em um quadro contextual, em um mundo significado. À percepção de algo que perturba uma ordem opõe-se, pelo relato jornalístico, um enredamento de causas, propósitos, motivos, agentes. O acontecimento funciona, pois, como uma ocorrência inicial que demanda a construção de uma interpretação, sua transformação em fatos, em acontecimentos jornalísticos. Aí, de um acontecimento visto como “tudo aquilo que irrompe na superfície lisa da história entre uma multiplicidade aleatória de fatos virtuais” (RODRIGUES , 1994, p.27) passamos a acontecimentos que ocorrem e afetam alguém, que se dão sob duas visadas. Torna-se acontecimento jornalístico ou fato por um olhar que busca estabelecer o contexto da sua emergência, explicar-lhe o sentido. Mas este olhar, no universo do discurso da informação midiática, torna-se um duplo olhar: o acontecimento está na interseção entre um olhar que mostra, da instância de produção, e um olhar que vê, na instância da recepção. “Os meios de comunicação social são sempre confrontados com uma demanda de informação que é também um pedido de sentidos e, por conseguinte, à imperiosa necessidade de inserir os acontecimentos na trama lógica de uma história que os explique” (ARQUEMBOURG , 2003, p.33). Tal trama faz com que os fatos, no caso do discurso diferido da mídia impressa, sejam montados reportando ocorridos a partir do seu termo, do seu fim, da identificação de um resultado.[5] De alguma maneira buscam estabelecer figuras de um regime de temporalidade – uma passagem de um passado para um presente que o acontecimento teria como que cindido. Essa construção de um acontecimento interpretado não deve ser, entretanto, confundida com uma suposta incapacidade do relato noticioso de permitir que o fato jornalístico também se abra para possibilidades variadas de inteligibilidade, que seja inovador ou perturbador em relação a uma situação dada. Reduzir a indeterminação do acontecimento não significa estabelecer uma única determinação como muitas vezes parece querer um modelo de jornalismo atualmente dominante.


3 Acontecimento, continuidades e rupturas

A partir desse ponto trata-se de indicar então que o acontecimento jornalístico não pode ser definido tão somente por esse movimento de descontinuidade. É o que leva Sodré (1996; 2005 ) a postular que o acontecimento não marca uma ruptura mas sim a produção de um ponto rítmico na temporalidade cotidiana, que o acontecimento jornalístico é, quanto ao modo de ocorrência, um “fato marcado”, aquele que é visado e capturado na teia dos critérios de noticiabilidade definidos pela prática jornalística.

Tal formulação permite a Sodré questionar o que se define contemporaneamente por notícia, pois, em tese, “os fatos não-marcados são normalmente desconsiderados pela pauta jornalística”, mas é já uma normalidade da vida cotidiana que apareça no discurso da informação acontecimentos altamente previsíveis de se ocupam em bom número as notícias.


Isto equivale a dizer que o fato não é necessariamente “pontual” em si mesmo, já que pode ser maior (ou menor) do que o acontecimento, tanto de modo a permitir o desdobramento temporal da notícia (a suíte ou seqüência de notícias), quanto para instalar a possibilidade da demonstração das causas e efeitos da ocorrência [...] Todo e qualquer fato tornado acontecimento pelo jornalismo implica uma pontuação rítmica, pouco importando se o acontecimento se deu no passado ou no presente contínuo (SODRÉ, 2005, p.8).

Visto o acontecimento então, no que diz respeito ao seu modo de ocorrência, não como ruptura mas como uma marcação, a repercussão em seu “tempo de ocorrência” é direta. Sodré mostra que a notícia é uma maneira específica de estruturação do tempo a partir de sua relação particular com esse movimento regular que caracteriza o ritmo. Periodicidade, a fixação da atualidade em um presente da enunciação, a urgência como publicação imediata de uma apuração recente, são todos aspectos da temporalidade social marcados por essa ritmização no âmbito da notícia. Essa linha de abordagem parece-nos permitir algumas nuances analíticas importantes em diferentes compreensões teóricas do acontecimento jornalístico, muitas vezes tomadas em bloco.

O jornalismo é visto assim como um dispositivo que arquiteta o acontecimento com e no discurso, assegurando sua identificação. Tal discurso, feito de sentido compartilhado – algo que se mostra e que se vê – e poroso à experiência coletiva social, organiza esta “refletindo e integrando num todo, os fragmentos dispersos com que é tecida a trama do presente” (RODRIGUES, 1994, p.107). O discurso da informação constitui-se como uma maneira de expressar, mas também fazer circular o acontecimento. Coloca-o em movimento e, ao fazê-lo, alimenta a re-interpretação do próprio acontecimento.

Daí que o acontecimento não seja uma mera “aparição” na atualidade, o que nos remete para uma segunda ordem de questões. Como a composição textual da notícia engendra o tempo dos acontecimentos e produz o sentido de atualidade? Ela faz atualidade articulando as dimensões de passado, presente e futuro, condensando um triplo presente (RICOUER , 1994; GARCIN-MARROU , 1996). A atualidade não seria, então, uma qualidade dos acontecimentos e, portanto, da informação jornalística. Seu aspecto mais aparente, o presente do acontecimento para o qual o relato noticioso aponta, não é a única dimensão temporal da informação. Ao narrar, o jornalista, como condição de compreensão, implica o acontecimento numa referência à sua própria história, o “presente das coisas passadas”. Já o “fato mesmo”, aquele posto como diferido dessa história, se constitui no “presente das coisas presentes”. O “presente das coisas futuras” é a própria expectativa do desenrolar-se, de seqüência, posta pelo acontecimento.

Garcin-Marrou (1996) mostra essa projeção da história na estrutura de inteligibilidade de um acontecimento jornalístico ao analisar a narrativa de dois jornais sobre os conflitos na Irlanda do Norte e a luta do grupo político IRA. Conflitos entre protestantes e católicos, a política britânica, o terrorismo são parâmetros sócio-históricos necessários para que se possa produzir (e compreender) um relato jornalístico dos acontecimentos que se sucedem: manifestações, atentados etc. Não nos parece que apenas acontecimentos com tal “densidade histórica” remetam necessariamente ao passado, a uma memória, na construção da narrativa jornalística. Se em tais casos, a História se torna mesmo parte do enunciado com remissões a acontecimentos outros de tempos remotos, ela se faz sempre presente na construção do acontecimento jornalístico do agora, pois é parte do “fundo” contra o qual se projeta a informação nova da notícia. Aparentes banalidades como “Romário fica no banco do Vasco em jogo com o América” ou “Mudanças no IR devem reter mais pessoas na malha fina” supõe um saber encarnado na experiência, uma memória como condição de compreensão dos acontecimentos postos em tela, e uma expectativa de conseqüências, um horizonte para tais fatos.

Junto com esse triplo presente, a inteligibilidade do acontecimento se articula também com outra dimensão de temporalidade, a da dupla temporalidade presente no processo de narração do acontecimento que produz uma tensão entre latência e atualidade. A atualidade diz respeito aqui à capacidade da informação de irromper, revestida de um sentido de urgência, no discurso jornalístico – o relato imediato de uma ocorrência recente. A latência, por sua vez, diz de um horizonte de significação “em aberto” no espaço da experiência, é uma fabulação ainda não tornada efetiva, é momento de elaboração e esforço para elucidar uma situação. “A latência oferece à atualidade o ‘mundo’ necessário à leitura da informação como acontecimento” (GARCIN-MARROU, 1996, p.57). Para quem produz o relato trata-se de monitorar e identificar vestígios que permitem delinear acontecimentos, de identificar diferentes possibilidades que antecedem a construção da narrativa final. Para Garcin-Marrou, “[...] atualidade e latência articulam, pois, uma temporalidade complexa da constituição do acontecimento. Esta temporalidade faz eco ao triplo presente da narração, à diferença que ela permite descrever o que não é estritamente do presente, isso que ‘enquadra’ o presente” (p.59). O acontecimento afirma-se em um presente e aí procura sua expressividade. Mas, ao fazê-lo, coloca-se no limiar desse tempo através da atualidade. Vemos assim que outra dimensão do tempo no discurso jornalístico refere-se ao processo de “gestão” da temporalidade através da narrativa.


4 Acontecimento e a-historicidade

Charaudeau (2006) explica que a finalidade da informação midiática é dar conta do que advém ao espaço público selecionando eventos a serem reportados segundo seu potencial de atualidade, sociabilidade e imprevisibilidade. Para Charaudeau, a noção de atualidade diz respeito a uma operação de significação acionada pelas instâncias de produção e de interpretação da informação, o processo evenemencial responsável pela emergência dos acontecimentos.

A noção de atualidade “evenemencial”, para o autor, é central no seu entendimento de contrato de comunicação midiático: ela visa responder à questão “o que se passa nesse momento?”, determinando assim as escolhas temáticas dos assuntos objeto de atenção do discurso jornalístico. A atenção à atualidade irá conferir à informação jornalística sua natureza ao mesmo tempo efêmera e a-histórica. Tal condição, a chamada “obsessão do presente”, explicaria as dificuldades do discurso jornalístico em lidar com o passado e imaginar o futuro.

Retornamos, por outras vias, à marcação do debate sobre a história e notícia e sua relação com o presente que, aqui, para precisarmos certa noção de acontecimento, cabe indicar. Charaudeau postula a a-historicidade da notícia distinguindo que sua co-temporalidade não tem proximidade com a de outros domínios como na História. No conhecimento histórico, a contemporaneidade é mais extensa, se inscreve no campo do perene, do tempo da longa duração. A notícia, ao contrário, fia-se em uma “visão superficial do mundo proposta pelas mídias, na qual não há nenhuma duração, nenhuma (ou quase nenhuma) perspectiva quanto ao passado, nenhuma (ou insignificante) projeção para o futuro.” A notícia não tem nenhuma espessura temporal mas simula tal condição por meio do “blefe” da narrativa, que insere o processo de conversão do acontecimento em notícia “numa interrogação sobre a origem e o devir” (CHARAUDEAU, 2006, p.135).

Ora, distinguir a notícia da história não implica em negar-lhe historicidade. Como diz Tétu (1993), a interpretação da ação relatada na notícia supõe o acionamento de formas culturais “tomadas de empréstimo” à história. A idéia de que a notícia está possuída por uma espécie de redemoinho de eventos que varrem a superfície sem deixar rasto opera certo reducionismo. A questão seria pensar qual a relação da notícia com a historicidade. Se condenamos a notícia pela sua falta de duração, por se constituir em um evento que existe para substituir outro evento noticioso numa deriva sem fim, talvez fosse importante lembrar que o transitório e o descontínuo compõem toda duração histórica. “Enquanto mudança, e mesmo realidades duradouras mudam, o tempo se confunde com o evento. Longa, muito longa, secular, milenar, na perspectiva de um tempo global, todas as durações tornam-se, finalmente, eventos: singularidades transitórias” (REIS , 1994, p.166). Ademais, quando observamos a composição de uma notícia no jornal impresso, por exemplo, podemos perceber que para além da própria narrativa do artigo, elementos peritextuais como o “chapéu” – expressão curta colocada acima de um título e que indica o assunto de que trata a matéria – não só particulariza e especifica uma dada editoria no jornal mas implica o fato em uma perspectiva de duração, inscreve-o num contexto alargado, condensam uma certa historicidade. Nesse sentido, nos parece demandar certa cautela a inspirada construção de Dominique Wolton – que a nosso ver sintetiza muito das visões correntes da relação presente-notícia, para quem “a força do jornalismo é estar no fluxo do tempo, e sua fraqueza estar na superfície do tempo, seu talento passar de um para outro” (2004, p.290). A a-historicidade da notícia ou do acontecimento jornalístico só pode ser reivindicada se, em algum momento, se admitir a temporalidade como, para usar uma expressão de Norbert Elias (1998), uma espécie de “decalque conceitual de um fluxo objetivamente existente” da qual a efemeridade do instante presente seria um ponto. E aquilo que se confunde com esse ponto, aquilo que parece ser um mero instante de aparição, que sugere a-historicidade à notícia, talvez seja apenas um dos aspectos da temporalidade do acontecimento, o tempo da sua emergência, ligado à ocorrência que o faz surgir. Arquembourg-Moureau (2003) nos lembra que é preciso distinguir nesse processo de transformação de acontecimentos em acontecimentos midiáticos pelo menos três “partições” temporais: esse tempo da emergência, mais aquele de uma demanda de sentido e inteligibilidade, e o tempo do reconhecimento. A notícia não trata, efetivamente, de uma retrospectiva de acontecimentos históricos, mas necessariamente orienta sua co-temporalidade entre acontecimento e circulação do acontecimento não os privando, mas orientando-os por linhas de fuga que figuram representações de passado e futuro. “Este presente parece cortado do campo da experiência e do horizonte de expectativa [...]. Ele é compreendido como um momento efêmero a partir do qual nada de duradouro pode edificar-se: nem reflexão, nem projeto (ARQUEMBOURG-MOUREAU, 2003, p.57).


5 Os Tempos que nos faltam

O que está em causa aí, para Arquembourg-Moureau, é a própria definição desse presente sem espessura. Há uma compreensão do presente tipicamente como sucessão de momentos, herança do passado e determinação para emergência do futuro. É uma figuração da temporalidade assentada em uma compreensão comum a partir de elementos como sucessividade, linearidade e universalidade. É uma imagem de que “o tempo é algo que flui, que há um agora movente, um presente móvel que vai se deslocando sem cessar, sempre no mesmo ritmo, do passado, do que já foi, para o futuro, o que ainda não é” (OLIVEIRA , 2003, p.49). É uma compreensão que nos faz pensar que a história tem um sentido, a estabelecer uma ordem dos acontecimentos baseada na relação entre eventos que são causa e eventos que são efeitos. Tal imagem, segundo Oliveira, não tem qualquer fundamento empírico para a ciência contemporânea, não corresponde a nenhum atributo objetivo do mundo natural. A sensação de fluxo do tempo é uma ilusão. “Habituada à cronalidade, nossa mente não ‘apreende’ o tempo, mas projeta-o sobre a realidade física, que ignora por completo o ‘momento presente movente’ característico da imagem da flecha móvel do agora” (OLIVEIRA, 2003, p.50). Esse presente sem historicidade é um presente, como diz Arquembourg-Moureau, de momentos “arrancados ao tempo”. Reducionismo ou empobrecimento dos regimes de temporalidade, o fato é que essa compreensão comum é tomada como explicativa para a a-historicidade do acontecimento jornalístico.

Talvez falte então imaginar a construção dos acontecimentos jornalísticos, por exemplo, sobre a perspectiva não apenas da cronologia, mas também de outras figuras do tempo, como o kairós, que François Hartog, ao refletir sobre a fundação da historiografia por Tucídides na época clássica, assim caracteriza: “em momento algum se trata de ‘estabelecer’ os fatos, investigar a realidade dos acontecimentos, mas sim pensar a respeito e a partir deles, saber, melhor que ninguém, exprimi-los, a fim de fazer o melhor uso deles, em função da conjuntura presente (kairós)” (HARTOG , 2001, p.103). Ou seja, trata-se de pensar a possibilidade de acrescer à relação tempo e acontecimento, para além do pontual, homogêneo, linear e contínuo, outras figuras da temporalidade. Márcio Tavares d’Amaral lembra que os gregos valiam-se do kairós, aiôn, khronos, ethos para tratar de processos distintos.


Para todas essas palavras usamos uma só, “tempo”. E dizemos que os gregos tinham várias concepções do tempo: uma como aiôn, outra como kairós, outra como khronos, outra como ethos, e havia ainda a referência aos ancestrais, a um passado gerador. Mas será que faz sentido dizermos que, quando os gregos usam a palavra aiôn, estão dizendo “tempo”; e quando usam kairós também estão dizendo “tempo”? E quando empregam ethos falam ainda da mesma coisa? E quando utilizam khronos permanecem designando “tempo”? Por que eles inventariam tantas palavras se estão dizendo uma coisa só? Nós é que empobrecemos extremamente a compreensão do que é o tempo quando acoplamos a lógica à duração e produzimos uma concepção crono-lógica, que é a única que fomos capazes de empregar de Aristóteles até agora. (D’AMARAL , 2003, p.26)

É curioso que também uma compreensão comum da notícia aponte para a idéia de que ela compõe um repertório, no âmbito da instância midiática, de contingência e imprevisibilidades, da “velha” história de que se um cachorro morder um homem... Ora, nessa concepção unidimensional de temporalidade como uma externalidade em relação aos fenômenos, nessa sucessão de instantes, nessa continuidade linear, o discurso da informação jornalística parece apontar para o sentido oposto, procura exorcizar a indeterminação, congelar a significação. Um das operações mais recorrentes no âmbito da produção da notícia que traduz tal movimento é o estabelecimento de uma ordenação dos acontecimentos fortemente baseada em um sentido: de eventos-causa para eventos-efeito. Mas como não ver uma certa “kairologia” no processo de seleção de acontecimentos, tão caro à produção da notícia? O Kairós remete ao momento oportuno, “[...] a coincidência brusca e improvisa na qual a decisão colhe a ocasião” (AGAMBEM , 2005, p.124). Implica, pois, como lembra Márcio Tavares d’Amaral, ocorrência e decisão. “Mantivemos a ocorrência, mas suprimimos a decisão” (2003, p.29). Já é lugar comum que o jornalismo procede fundamentalmente por escolhas. Que acontecimentos reter? De que maneira mostrar? São decisões acopladas a ocorrências. Mas, nesse sentido, são também o estabelecimento de operações temporais. Da mesma maneira, o acaso, aquilo que podia não ser, não é só da ordem dos “acontecimentos naturais”, mas uma potência estruturante da própria notícia, um certo princípio de indeterminação quanto à significação, ao sentido daquilo que se relata.

Outro procedimento que ancora a construção do acontecimento jornalístico nessa idéia comum de tempo é marcado pela própria maneira como a notícia busca “capturar” e narrar o acontecimento: uma certa obstinação em não apenas coletar informações, pesquisar e descrever a realidade, transformando-a em problema, mas sobretudo de explicá-la. Socorremos-nos novamente na discussão em torno da história para clarear o ponto no que se refere ao acontecimento jornalístico. Gagnebin, ao buscar compreender a relação história e narração em Walter Benjamin, mostra como, ao contrário de pensar uma relação “[...] extensiva do objeto no tempo, colocado como por acidente num desenrolar histórico heterogêneo à sua constituição”, o pensador alemão via também a possibilidade de vislumbrar história e temporalidade “[...] concentradas no objeto: relação intensiva do objeto com o tempo, do tempo no objeto” (GAGNEBIN , 1994, p.13). Parece-nos que o fato jornalístico adquire, com a visão comum do tempo, de maneira análoga a uma historiografia cientificista, não a dimensão de um objeto “bruto” mas um acontecimento com explicações disponíveis a serem tão somente recuperadas.

Daí, será que não poderíamos transformar em questão para esse jornalismo “amarrado” ao presente a indagação que Gagnebin formulou ao discutir, entre outras coisas, o que é contar histórias?


Como descrever esta atividade narradora que salvaria o passado, mas saberia resistir à tentação de preencher suas faltas e de sufocar seus silêncios? Qual seria esta narração salvadora que preservaria, não obstante, a irredutibilidade do passado, que saberia deixá-lo inacabado, assim como, igualmente, saberia respeitar a imprevisibilidade do presente? (GAGNEBIN, 1994, p.72)

Também com ela diríamos que seria preciso apreender o acontecimento jornalístico com certo despojamento, sob a forma da constelação benjaminiana onde “tais estrelas, perdidas na imensidão do céu, só recebem um nome quando um traçado comum as reúne”. Marcado pela “obstinação da intenção”, o discurso jornalístico pouco tem sabido admitir a “intensidade da atenção”. Seria preciso, como diz Gagnebin, buscar outro caminho, talvez o que ela aponta como o método do desvio.


Uma espécie de atenção ao mesmo tempo intensa e leve. Esta atenção indica uma presença do sujeito ao mundo tal que saiba deter-se, admirado, respeitoso, hesitante, talvez perdido, tal que as coisas possam se dar lentamente a ver e não naufraguem na indiferença do olhar ordinário. [...] A estrutura temporal deste método do desvio deve ser ressaltada: o pensamento pára, volta para trás, vem de novo, espera, hesita, toma fôlego. É o exato contrário de uma consciência segura de si mesma, do seu alvo e do itinerário a seguir. (GAGNEBIN, 1994, p.99)

Não parece que tem sido esse o movimento característico do discurso de informação da atualidade contemporaneamente. Ao contrário, tomando de empréstimo uma formulação de Walter Ong para a cultura da escrita, podemos dizer que “[...] planejamos cuidadosamente nossos acontecimentos para estarmos seguros de que sejam inteiramente espontâneos” (ONG , 1998, p.155).


Temporality and the production of the journalistic event
ABSTRACT
Time is a central concept of news production. This paper explores the temporal organization as a dimension of analysis in the production of journalistic events and discusses the notion of “presentism”, the present that is omnipresent for Hartog. How can this phenomenon be understood within the journalistic discourse? The central idea of journalism is not the reduction of the present. The approach focuses on the way temporality integrates the system of rules that defines the particularity of the journalistic discourse to systemize the world and to produce the culturally related meaning to the present time information
KEYWORDS: Journalistic event. Temporality. Presentism


Temporalidad y la producción del acontecimiento periodístico
RESUMEN
Tiempo es un concepto central de la producción de las noticias. Este artículo explora la organización temporal como dimensión del análisis en la producción del acontecimiento periodístico y discute la noción del “presentismo”, el presente que es ubicuo para Hartog. ¿Cómo se puede entender este fenómeno dentro del discurso del periodismo? La idea central del periodismo no es la reducción del presente. El acercamiento se centra en la manera como la temporalidad integra el sistema de reglas que define la particularidad del discurso periodístico, para sistematizar el mundo y producir el significado cultural relacionado a la información del tiempo actual.
PALABRAS CLAVE: Acontecimiento periodístico. Temporalidad. Presentismo



Notas

[1]Uma boa referência para diferentes concepções de tempo ao longo da história em diferentes sociedades está em As Culturas e o tempo, obra coletiva organizada pela Unesco sob a direção de Paul Ricouer (1975), e também em Agamben (2005)

[2]Para uma caracterização da noção de risco como recorrente em diversas áreas das ciências humanas e sociais ver Reith (2004),

[3]Encontramos também referência à expressão “futuro anterior”, segundo Jean Marie Gagnebin (1994), nas formulações do teórico húngaro da literatura Peter Szondi em suas reflexões sobre a obra de Walter Benjamin. Não nos foi possível indicar se a proposição de Tétu guarda alguma relação com as formulações de tal autor.

[4]A tradução do trabalho de Charaudeau utiliza a expressão “evenemencial” para o adjetivo de “événement” (acontecimento). No decorrer do nosso trabalho grafaremos “evenemencial” – que não existe no português - em itálico para tentar preservar a noção proposta pelo autor, já que a tradução por factual nem sempre indica com clareza a proposição feita.

[5]O acontecimento “ao vivo” das mídias eletrônicas obedece a uma lógica de montagem distinta, apontando em geral para a antecipação e projeção do fato. Ver sobre isso Arquembourg (2003) e Dayan e Katz (1999).


Referências

[<] ADAM, Bárbara . Reflexive modernization temporalized. Theory, Culture & Society, London, v.20, n.2, p.59–78, 2003. .

[<] AGAMBEN, Giorgio. Tempo e história – crítica do instante e do contínuo. In: ____ . Infância e história. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005. .

[<] ARCQUEMBOURG, Jocelyne. L’événement en direct et en continu. L’exemple de la guerre du Golfe. Réseaux, Paris, n.76, p. 31-45, apr. 1996. .

[<] ARCQUEMBOURG, Jocelyne. Le temps de événements médiatiques. Bruxelles, De Boeck, 2003. .

[<] BODEI, Remo. A História tem um sentido? Bauru, SP: EDUSC, 2001. .

[<] CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2006. .

_____. El Discurso de la información. Barcelona: Gedisa, 2003. .

[<] D’AMARAL, Marcio Tavares. Sobre o tempo: considerações intempestivas. In: DOCTORS, Márcio (Org.). Tempo dos tempos. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2003. P.15-32. .

DAYAN, Daniel ; KATZ, Elihu. A História em directo: os acontecimentos mediáticos na televisão. Coimbra: Minerva, 1999. .

[<] ELIAS, Norbert. Sobre o tempo. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1998. .

[<] GAGNEBIN, Jeanne Marie. História e narração em Walter Benjamin. São Paulo: Perspectiva, 1994. .

[<] GARCIN-MARROU, Isabelle.L’évenement dan l’information sur l’Irlande du Nord. Réseaux, Paris, n.76, p. 47-60. apr. 1996. .

[<] HARTOG, François. A História de Homero a Santo Agostinho. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 2001. .

[<] _____. Time and heritage. Museum International, Paris, v. 57, n.3,. p.7-18, 2005. .

[<] OLIVA-AUGUSTO, Maria Helena. Tempo, indivíduo e vida social. Ciência e Cultura, São Paulo, v.54, n.2, p. 30-33, out./dez. 2002. .

[<] OLIVEIRA, Luiz Alberto. Imagens do tempo. In: DOCTORS, Márcio (Org.). Tempo dos tempos. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2003. P.33-68. .

[<] ONG, Walter. Oralidade e cultura escrita. Campinas, SP: Papirus, 1998. .

[<] PONTE, Cristina. Para entender as notícias. Florianópolis: Insular, 2005. .

[<] REIS, J. C. Tempo, história e evasão. Campinas, SP: Papirus, 1994. .

REITH, Gerda. Uncertain Times. The notion of ‘risk’ and the development of modernity. Time & Society, London, v. 13, n. 2/3, p. 383–402, 2004. .

[<] RICOEUR, Paul. Tempo e narrativa. Campinas,SP: Papirus, 1994. V.1.

[<] RODRIGUES, Adriano Duarte. Comunicação e cultura. Lisboa: Presença, 1994. .

[<] SANTOS, Boaventura de Sousa. Para uma sociologia das ausências e uma sociologia das emergências. In : SANTOS, Boaventura de Sousa (Org.) Conhecimento prudente para uma vida decente: «Um discurso sobre as ciências» revisitado. Porto: Afrontamento, 2003. .

[<] SODRÉ, Muniz. O que é mesmo uma noticia?. In: XIV ENCONTRO ANUAL DA COMPÒS, 14., 2005, Niteroi. Anais .... Niterói, RJ, 2005. .

[<] SODRÉ, Muniz. A forma da notícia. In: _____. Reinventando a cultura. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996. .

[<] SODRÉ, Muniz; SOARES, Raquel Paiva de Araujo. Sobre o facto e o acontecimento. Trajectos, Lisboa, v. 1, p. 95-101, 2005. .

[<] TÉTU, Jean-François. L’actualité ou l’impasse du temps. In: SCIENCES de l’Information et de la Communication : textes essentiels. Paris : Larousse, 1993. P. 713-722. .

[<] ____. La temporalité des récits d’information. In : VITALLIS et al. (Dir.), Médias, temporalités et démocratie. Rennes : Apogée, 2000. P. 91-108. .

[<] TRAQUINA, Nelson. Teorias do jornalismo. Florianópolis: Insular. 2005. .

[<] URRY, John. Times. In: URRY, John. Sociology beyond societies: mobilities for the twenty-first century. London: Routledge, 2000. .

[<] VITALIS, A. ; DOMENGET, J.-C. ; TURCIN, K. Temporalités médiatiques et vies quotidiennes. Université de Bordeaux 3, Centre d’Etude des Médias, de l’Information et de la Communication, 2005. P. 100-134. Disponível em: http://www.msha.fr/cemic/grem/temporalites.pdf. Acesso em: 20 mar. 2005. .

[<] WOLTON, Dominique. Pensar a comunicação. Brasília: Editora UnB, 2004.


Professor do Departamento de Comunicação/ UFMG Doutorando em Comunicação e Cultura / UFB
E-mail: eltunes@uol.com.br
Curriculo Lattes