Verso e Reverso, Ano XXI - 2007/3 - Número 48

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Verso e Reverso [Características das relações interpessoais na contemporaneidade: um estudo sobre o Orkut]
Artigo

Características das relações interpessoais na contemporaneidade: um estudo sobre o Orkut /Characteristics of the interpersonal relationship nowadays: a study about Orkut


Flávia Ataide Pithan1
Maria Isabel Timm2

Este artigo apresenta um estudo do site de relacionamentos virtuais Orkut, enfocando as relações características da cultura contemporânea, examinadas dentro do universo conceitual de Maffesoli (1995, 1999) relativo ao que chamou de cultura pós-moderna. Segundo esses conceitos, as relações interpessoais mediadas pela tecnologia virtual seriam caracterizadas pela superficialidade e pela fragmentação. Embora considerando excessiva a generalização proposta por Maffesoli, no sentido de não dar conta de todas as possibilidades de relacionamentos interpessoais mediados pela tecnologia virtual, alguns dos quais não seriam superficiais e/ou fragmentados (como por exemplo a troca de e-mails familiares e profissionais), utilizar-se-ão as categorias do autor para examinar o objeto de estudo (o Orkut), buscando-se nele tais características.

A pós-modernidade, como todas as demais épocas históricas, é influenciada pelas tecnologias de comunicação e informação que constituem os veículos da representação e de todas as relações culturais. No cenário atual, a internet cumpre papel fundamental, pois disponibiliza um espaço novo para interações sociais característico desta condição, situando a chamada cibercultura, na qual as novas tecnologias de comunicação e informação estruturam a relação destas tecnologias com o social. Considerando-se a rápida e significativa adesão de milhares de usuários ao site de relacionamentos Orkut no Brasil4, torna-se relevante analisar as relações que ali se estabelecem, entre os membros das comunidades, relativas à troca de informações e mensagens que ocorrem através do sistema, como forma de compreender características desse tipo de interação. O objetivo desse texto é, através desta comunidade virtual, refletir sobre questões culturais que seriam características da pós-modernidade e, conseqüentemente, também da cibercultura.

Para o presente estudo, foram definidas categorias de análise da pós-modernidade, com base em conceitos de autores como Michel Maffesoli e Gilles Lipovetsky, entre outros pensadores contemporâneos das áreas de ciências sociais e filosofia. Estas grandes categorias – fragmentação e efemeridade das relações – levariam a comportamentos identificáveis nas sociedades contemporâneas, como o hedonismo e a glamourização da transgressão, em função da falta de valores perenes; e também à estruturação de relações mediadas por valores como moda ou pelo culto a celebridades, ou à tendência ao chamado tribalismo, em torno de identificações pontuais e pertencimentos dinâmicos a grupos e mutáveis. Tais comportamentos culturais, ainda segundo os autores citados, seriam possivelmente motivados por alterações estruturais da contemporaneidade, como a relativização das grandes metanarrativas características da modernidade (o socialismo, os direitos humanos, por exemplo), em direção a mudanças de concepção de tempo e espaço, mediadas ainda pela cultura de consumo. Tais mudanças de comportamento implicariam adaptações nas formulações e na expressão de valores relativos à moral e à ética, temas de base das interações interpessoais e dos comportamentos públicos5.

Apresentam-se resultados parciais de pesquisa que consistiu da análise – com base nos conceitos dos autores já citados – de fragmentos de discurso retirados de diferentes espaços virtuais do Orkut: perfis de usuários, disponibilizados publicamente (escolhidos propositadamente para ilustrar as formulações dos autores referenciados); algumas categorias de divisão das comunidades oferecidas pelo site, através de suas designações e seus respectivos textos de apresentação6; e, finalmente, sobre fragmentos de discurso selecionados (de forma aleatória7), retirados do site todos no mesmo dia: 20 de novembro de 2005. O modelo de análise do discurso foi o de Van Dijk (2000), buscando-se, além das duas referidas categorias, identificar o que este autor chamou de pressuposto estratégico, um dos pressupostos cognitivos usados por autores de textos, os quais estruturam o contexto capaz de viabilizar alguma interpretação (traduzem a situação em que foi produzido8). Por esta razão, os títulos das categorias do site e das comunidades também foram considerados como fragmentos de discurso, além do texto de apresentação e de descrições dos perfis dos usuários. A análise final foi realizada em apenas uma comunidade por categoria do site, totalizando 27 interpretações.

Nesse texto a revisão bibliográfica é apresentada concomitantemente com os fragmentos de discurso interpretados nesse contexto. Apresenta-se a seguir as categorias da pós-modernidade definidas pelo referencial teórico utilizado, integradas às respectivas análises e observações sobre os fragmentos pesquisados.

Relações fragmentadas

Historicamente o homem constituiu-se em comunidades e associações fundadas na crença de valores comuns e muitas vezes relacionadas a questões transcendentais, como religiões, ou civis e operacionais, como nacionalidades ou profissões. Na modernidade ocidental, estes valores canalizaram-se, durante a segunda metade do Século XX, para uma divisão ideológica, a qual caracterizou o mundo durante a Guerra Fria e opôs os ideais socialistas aos modelos mercadológicos, tanto de desenvolvimento econômico quanto de organização das formas de poder civil. Neste período histórico, desenvolveram-se também os grandes veículos de comunicação de massa, como o rádio e a televisão, que tinham como característica a emissão de uma única fonte, recebida por uma massa de ouvintes-telespectadores-assistentes. Tanto um quanto outro, o rádio e a televisão, foram usados por ambos os pólos do espectro político esquerda-direita, para disseminar idéias, comportamentos e, por extensão, encaminhamento de questões relativas à ética e à moral, capazes de ditar aos grupos como interagir, a partir de uma escolha de posição sobre o conjunto de valores de um ou outro lado.

Na pós-modernidade, parece acontecer o surgimento de um novo ideal, que alguns autores consideram ser o retorno do ideal comunitário9 do pequeno grupo ao qual os indivíduos remetem suas interações e identificações locais, apesar das grandes redes de computador terem permitido a comunicação interplanetária, ao alcance de um clique. Possivelmente em função desse território virtualmente estreitado, questões que dizem respeito a toda a sociedade não são determinantes na motivação das escolhas de relações sociais ou de pertencimento. A adesão a um ou outro lado do espectro social, econômico ou ideológico não determina completamente a escolha de comportamentos, mas sim as identificações dos indivíduos com cada grupo ao qual pertence, naquele momento específico de sua vida ou de sua idade, ou de sua atuação social. Dentro desse novo modelo, as relações sociais se moldam e adquirem características mais flexíveis, facilitadas pela nova forma de tecnologia de comunicação, a qual permite múltiplos emissores e múltiplas fontes de recepção, tanto quanto possibilidades de criação de personas ou funções no grupo virtual.

O site Orkut é um exemplo expressivo de comunicação mediada por computador, valorizando o ciberespaço como uma nova opção para interações sociais, opção característica apenas da contemporaneidade. Mais do que isso, é um exemplo da identificação dos indivíduos com suas escolhas múltiplas, por profissão, por idade, por gosto musical, por comportamentos ou por simples amor ou ódio a algum personagem, filme, anúncio publicitário ou outro item em evidência. A facilidade de operação da ferramenta permite ainda que os usuários alterem esta preferência, criem novas ou manifestem adesões ou repúdios, criando a impressão de superficialidade das relações pessoais, como se verá, assumindo-se o ponto de vista dos autores da pós-modernidade. Seguem-se alguns exemplos que foram interpretados como significativos de relações fragmentadas, apresentados – como no trabalho original – na forma de colunas contendo o fragmento escolhido e sua interpretação, ao lado.

Tabela 1 – Décima comunidade da categoria Artes e Entretenimento

Fragmentação pela mudança das metanarrativas

Rüdiger (2004), descreve múltiplas passagens pelas quais passou a sociedade humana, desde o homem pré-moderno ao homem pós-moderno, sobre o qual reflete:

A modernidade surge com a ruptura dos princípios de vinculação e a promoção de um individualismo em cuja base se afirma o conceito de sociedade. Agora, o movimento histórico se encarrega de projetar esse indivíduo num processo de fragmentação social e desintegração interior que, pouco a pouco, vai tornando difícil sustentar esse conceito (Rüdiger, 2004, p. 51).

O autor afirma que a expressão rede, desde que vista criticamente, pode conceitualizar esta realidade de forma mais eficiente do que o termo comunicação. Segundo ele, na internet consagra-se a desintegração da personalidade social unificada, do ponto de vista ideológico ou religioso, e consolida-se a fragmentação das relações sociais. O indivíduo se insere em uma teia de relações aberta ao infinito, em contínuo estado de alteração, por onde circulam as mais diversas formas de comunicações. Os benefícios desta realidade, viabilizada pelo progresso tecnológico, estariam subordinados a uma tendência que impõe alienações de individualidades e prejuízos (apesar dos benefícios em várias outras áreas) em muitos planos de existência, do ambiental ao subjetivo e individual.

Quando não sucumbe a alguma espécie de êxtase informacional, abrindo mão de continuar sendo um ponto focal capaz de sintetizar suas vivências, o eu tende a perder sua eficácia e propriedade social e histórica. O posicionamento do mesmo nos circuitos de interação, além de efêmero, fracionado e funcional, passa a ser acionado ou tende a ser mantido apenas pelo registro abstrato, anônimo e (áudio)visual dos aparatos tecnológicos: o eu se reduz, então, às conexões que estabelece na rede telemática (Rüdiger, 2004, p. 53).

“O si mesmo é pouco, mas não está isolado; é tomado numa textura de relações mais complexa e mais móvel do que nunca” (Lyotard, 2002, p. 28). Está sempre colocado nas posições pelas quais passam mensagens de natureza diversa e nunca está “privado de poder sobre estas mensagens que o atravessam posicionando-o, seja na posição de remetente, destinatário ou referente” (Lyotard, 2002, p. 28). A questão do vínculo social, neste caso, estaria relacionada a um jogo de linguagem, “o da interrogação, que posiciona imediatamente aquele que a apresenta, aquele a quem ela se dirige, e o referente que ela interroga: esta questão já é assim o vínculo social” (Lyotard, 2002, p. 29).

O Orkut possibilita a criação de novos vínculos sociais, além de reforçar os laços já existentes. Esses laços são firmados principalmente pela comunicação entre o grupo de amigos adicionados à lista de cada usuário e também pelas interações que ocorrem nas comunidades das quais participa, colocando-o em uma posição na qual passam inúmeras mensagens e possibilitando sua participação em qualquer um dos contextos, como citado acima.

Outro fator apontado pelos analistas da pós-modernidade é a ruptura com a grande narrativa religiosa ocidental, a qual ocorreu na modernidade com o questionamento da onipresença de um único Deus universal (Vaz, 2004). A relativização da crença divina acarreta a necessidade de outras re-significações: “Sem um ‘Deus’ que lhes dê sustentação, os significados flutuam livres, sendo compreendidos apenas na relação de um com o outro, vistos em diferentes discursos” (Lyon, 1998, p. 23). A fratura e a fragmentação dificultaram a unicidade do significado, conforme era concebido tradicionalmente. O pós-moderno favoreceria, assim, os discursos flexíveis e eliminaria parte da rigidez do conhecimento elaborado no passado.

Isso poderia ser exemplificado nas próprias categorias de comunidades estabelecidas pelo site. O hedonismo aparece implícito em categorias como Artes e Entretenimento; Moda e Beleza; Culinária, Bebidas e Vinhos; Saúde, Bem-estar e Fitness; Esportes e Lazer; Viagens; Gays, Lésbicas e Bi. A moral hedonista reflete as preocupações do homem pós-moderno, preocupado com sua performance profissional, saúde, superação, forma física, sexualidade e que usufrui do prazer como recompensa. Há um paradoxo nesta postura, pois embora a época pós-moralista valorize o prazer e a satisfação do desejo, há um movimento contrário a esta tendência, impedindo que a sociedade projete de forma linear a ruptura com todos os valores. Pode-se evidenciar este paradoxo opondo a categoria Gays, Lésbicas e Bi à categoria Religiões e Crenças, refletindo ainda sobre a capacidade da ferramenta virtual de espelhar cada uma das tendências sócio-culturais. Situações como estas compõem o quadro atual e evidenciam outra característica da pós-modernidade: a flexibilidade de comportamentos, crenças, padrões e atitudes. Estas categorias, referidas nesta ferramenta de comunicação e socialização, indicam o papel da cultura como produto e como produtora dos elementos que constituem o imaginário daquele conjunto de indivíduos integrados através de comportamentos e valores. A seguir, no intuito de ilustrar o que se tratou até aqui, é apresentada a análise do texto de apresentação do site.

Tabela 2 – Texto de apresentação do Orkut e sua interpretação segundo a revisão bibliográfica e o pressuposto estratégico de Van Dijk (2000)

Fragmentação pela mudança na noção de tempo e espaço

O ciberespaço, e neste caso também o Orkut, é um espaço sem dimensões geográficas, onde ocorrem interações múltiplas, não-hierárquicas, com características tão diversas quanto as mensagens amorosas, profissionais e comerciais, as quais podem suportar relações de vários tipos (familiares, fraternas, entre fornecedores, prestação de serviço, educação, entre outros). De alguma forma, todas contêm uma perspectiva de fragmentação, seja de tempo (assincronicidade da troca de mensagens), seja no espaço (comunicação remota em tempo real). Estas serão características importantes para propiciar o aparecimento e a consolidação da cultura tribal, estruturada sobre grupos de identificação, embora, como se referiu inicialmente, é importante destacar que há laços afetivos e profissionais estáveis sendo refletidos nesse conjunto, com as trocas de mensagens familiares e de prestação de serviço.

Voltando aos autores da pós-modernidade, se poderia dizer que depois da modernidade, tempo em que teria havido um predomínio do exercício do poder através de formas institucionais e ideologias que pretendiam controlar, manipular e organizar, de forma centralizada, o espaço físico, surge um processo de desmaterialização do mundo. “O ciberespaço faz parte do processo de desmaterialização do espaço e de instantaneidade temporal contemporâneas, após dois séculos de industrialização moderna que insistiu na dominação física de energia e de matérias e na compartimentalização do tempo” (Lemos, 2003, p. 137 -138).

Esta é uma das razões para a aceitação surpreendentemente rápida da internet, “a promessa de dotar o indivíduo com a ubiqüidade. Na rede, estamos em lugar nenhum e em todos os lugares, podendo trocar informações ou interagir com quem ou o que se quiser, no momento em que desejarmos, no nosso momento” (Vaz, 2004, p. 202). “Hoje, os computadores pessoais são cada vez menos ‘pessoais’ e cada vez mais computadores coletivos, máquinas de conexão” (Lemos, 2003, p. 144).

O tempo do ciberespaço não é linear e progressivo (conforme a noção ocidental de historicidade) e sim de conexões pontuais, em uma espécie de aqui-e-agora, um tempo sempre presente, correspondente ao presenteísmo social contemporâneo, descrito por Maffesoli (1995), que se confunde com o próprio espaço virtual onde tudo é possível. No ciberespaço, enquanto computadores trocam dados pela linha telefônica e o corpo permanece imóvel na cadeira, acredita-se visitar lugares e conversar com pessoas (Vaz, 2004). São ações realizadas de forma completamente diferente do passado histórico. O que mudou foi a natureza formal das ações, que antes implicavam a presença física do corpo. Neste caso, estas são substituídas pela mente, a simples projeção mental do indivíduo (que pode inclusive experimentar fantasias com a vantagem de não sofrer com as conseqüências corporais desta experimentação). A rede ainda promove o anonimato, permitindo a interação livre de marcadores identitários de aparência, raça e gênero.

Assim, o ciberespaço (e neste contexto o Orkut) é um potencializador das dimensões lúdicas, eróticas, hedonistas e espirituais na cultura contemporânea. Para Lemos (2003), a cibercultura contemporânea se coloca diante de um rito de passagem em direção à desmaterialização da sociedade pós-industrial. Por isto, o ciberespaço tornou-se um rito de passagem obrigatório para os novos cidadãos da cibercultura. É um ambiente midiático, como uma “incubadora de ferramentas de comunicação, logo, como uma estrutura rizomática, descentralizada, conectando pontos ordinários, criando territorialização e desterritorialização” (Lemos, 2003, p. 146). Vaz (2004) salienta que as múltiplas janelas dos sistemas utilizados para navegar no ciberespaço ainda permitem que um usuário seja vários ao mesmo tempo, cada um sendo não apenas multitarefa, mas dispondo de múltiplas personalidades coexistindo em si, aprendendo, mais do que a transitar, a conviver com muitos "eus" em si.

O hacker, ativista virtual contra a centralização tecnológica10, sucedeu ao militante ideológico contra as relações de produção burguesas capitalistas. É ele o sujeito ativo com o qual os descontentes com o curso do progresso tecnológico se opõem à classe virtual e ao império do mundo cibernético (Lemos, 2003). O autor cita os hackers como um dos grupos que surgiram como movimentos sociais característicos da pós-modernidade, além dos cyberpunks, cracker e ravers11, descendentes ciberculturais dos grupos de identificação que se sucederam à fragmentação ocasionada pelo fim das grandes narrativas. Além da influência da fragmentação causada pelo fim das grandes narrativas, estes movimentos também são influenciados pela já citada fragmentação da noção de tempo e espaço oriunda das novas tecnologias.

Weissberg (2004) também analisa a questão da territorialização/desterritorialização relativa às redes, apontando que a territorialização será arcaica, na medida do aperfeiçoamento das teletecnologias, as quais permitirão a duplicação virtual da presença. Por um lado existe a tendência, ao examinar os primeiros efeitos da rede, de negligenciar o território, ou até de negá-lo; seria a desterritorialização. Por outro lado, em uma colocação mais flexível, conjectura-se que as redes, longe de dissolverem a importância da localização, só a aumentam, pois “as coletividades territoriais encontram na internet um meio de reforçar seus laços, de aumentar a intensidade e a freqüência de seus encontros reais” (Weissberg, 2004, p. 117).

O autor tende a negar o desaparecimento dos vínculos territoriais no ambiente de rede. “A cartografia do território real e a localização geográfica combinam-se com a abstração do tratamento informacional. O território, portanto, não desapareceu na onda das redes informacionais. A localização não perdeu seu poder” (Weissberg, 2004, p. 120). Torna-se evidente o caráter paradoxal envolvido nesta característica da rede ou do ciberespaço. A possibilidade de poder alcançar alguém em todo lugar e a qualquer momento aumenta, mas não significa diminuir a ligação com o território. “A rede não dissolveria, portanto, a noção de lugar, mas a retrabalharia, misturando unipresença física e pluripresença mediatizada” (Weissberg, 2004, p. 121). A teleinformática institui um novo meio, mas, ainda de acordo com Weissberg, isto não significa o desaparecimento dos antigos. Talvez signifique retomada, redefinição.

Exemplo de espaço desterritorializado onde as coletividades aumentam seu território – inclusive físico – através da presença virtual, as trocas de mensagens instantâneas, em ferramentas como o Messenger e o ICQ, tendem a integrar grupos de amigos pré-existentes, em função de laços de amizade, profissionais ou familiares, todos compondo territórios geográficos e emocionais bem definidos. No Orkut isso também acontece. Cita-se a comunidade Porto Alegre12, com mais de 124 mil integrantes, e a Zona Sul – Porto Alegre13, com mais de 22 mil integrantes. Estas duas comunidades expressam claramente o interesse em unir pessoas que já se conhecem e entrosar os que estão aderindo ao grupo. Seus usuários agendam o que chamam de “orkontros” (reunião de pessoas que interagem no Orkut) tornando real o convívio virtual, reforçando os laços sociais já existentes e criando novos laços entre pessoas antes desconhecidas (presencialmente). Apresenta-se a seguir a interpretação do discurso da comunidade Porto Alegre.

Tabela 3 – Exemplo de comunidade definida pelo local

Fragmentação relacionada com a cultura do consumo

A deslegitimação das metanarrativas também está ligada a outra característica do mundo pós-Guerra Fria: o fortalecimento do capitalismo liberal, da economia de mercado e da democracia representativa, todos eles fomentados pela globalização econômica e a interdependência dos mercados. A alternativa comunista, representando a centralização do controle estatal, como opção ideológica e econômica, foi fragilizada após a queda do Muro de Berlim (1989) e ganhou valor a fruição individual de bens e serviços (consumo), pelo menos nos países ocidentais, ou nos orientais que se abriram aos padrões desse tipo de sociedade. O colapso do comunismo como ideologia aprofundou a preparação do caminho para a “atomização do social” (Lyon, 1998, p, 26), oportunizando o aparecimento de grupos de consumidores, com identidades relacionadas ao gosto e à moda. O acesso ao consumo por uma maior parcela da população gera como conseqüência um aumento da participação popular na produção cultural, através de interferências nas obras originais. Os textos (aqui compreendidos como textos literais ou outros símbolos culturais) são retrabalhados e recombinados por seus consumidores. “A colagem se torna o estilo pós-moderno. Nós substituímos o mundo dos objetos [...] pelo mundo dos produtos e imagens, a fantasmagoria dos meios de comunicação de massa” (Lyon, 1998, p. 78).

A cultura de consumo pode relacionar-se com outros fenômenos culturais mais gerais. Não apenas bens artísticos e de consumo, mas também bens intelectuais e mesmo religiosos dependem do mercado, que resiste ao monopólio e à hierarquia. A ênfase do econômico e funcional, característica da modernidade, passa para o cultural e estético, visível principalmente nas áreas urbanas. As novas linguagens da televisão e dos meios de comunicação eletrônicos conduzem à nova cultura de consumo, com distinções menos rígidas entre, por exemplo, intelectuais e iletrados, cultura de elite e cultura de massa. A acreditar-se nesta idéia, as barreiras entre grupos estariam mais flexíveis, permitindo que, pelo menos ao nível simbólico, bens antes inacessíveis sejam consumidos por grupos econômicos menos favorecidos. Ou, ao contrário, grupos econômicos mais favorecidos passem a consumir os bens simbólicos de outra classe, apropriando-se de sua cultura.

O consumo (cultural) de bens simbólicos determina escolhas conscientes dos indivíduos, mesmo orientados por pacotes de estilos de vida dos anunciantes. Os indivíduos racionais da modernidade, supostamente dirigidos por objetivos de produção e eficiência, parecem ser substituídos pelas novas tentativas de construção de identidades de indivíduos que fazem suas próprias escolhas de consumo e se relacionam com os grupos que se identificam com os mesmos bens simbólicos dessas escolhas. Os indivíduos escolhem máscaras (identidades de consumo e de adesão a valores) segundo as situações que vivem e a necessidade de inclusão nos grupos. São as denominadas máscaras de uma persona pós-moderna (Lyon, 1998), que caracterizam a experiência mediada pela tecnologia, a qual influencia na construção contemporânea do eu. A falta de centros simbólicos favorece a fragmentação e sujeita a cultura pós-moderna às escolhas efêmeras e circunstanciadas do consumidor, enquanto grupo cada vez mais específico (fragmentado).

Para Debord (1997), na sociedade do espetáculo na qual atualmente se vive, a mercadoria ocupou totalmente a vida social. Aparentemente, este autor discorda que as escolhas sejam conscientes. A mercadoria, para ele, domina a economia como base material da vida social e contribui para a imposição das múltiplas e fragmentadas identidades grupais. A mercadoria seria capaz inclusive de criar necessidades que, ao indivíduo, pareceriam evidentes, mas que são, na verdade, produtos do espetáculo produzido para o consumo. “O espetáculo, como a sociedade moderna14, está ao mesmo tempo unido e dividido. Como a sociedade, ele constrói sua unidade sobre o esfacelamento” (Debord, 1997, p. 37). Para este autor, contrariamente ao que propõe Maffesoli, o consumo dos bens simbólicos não contribui para produzir escolhas conscientes, mas representa a incapacidade dos indivíduos de resistir às imposições midiáticas da cultura de consumo. “A vedete do consumo, embora represente exteriormente diferentes tipos de personalidade, mostra cada um desses tipos como se tivesse igual acesso à totalidade do consumo, e também como capaz de encontrar a felicidade nesse consumo” (Debord, 1997, p. 41).

Consumir [...] se torna o “eixo em torno do qual o mundo da vida gira”. [...] No nível social, a pressão para gastar vem da rivalidade simbólica e da necessidade de construir nosso eu (imagem) através da aquisição do distinto e do diferente. [...] A sedução assume seu papel como meio de controle e de integração social (Lyon, 1998, p. 101).

Comunidades que agregam pessoas pelo consumo no Orkut são comuns. As comunidades Nike Shox15, Eu tenho MP3 Player16 e Meu celular é NOKIA17 são exemplos que salientam a união de pessoas ao redor de objetos de consumo com os quais se identificam. Esses objetos são os totens que agregam essas pessoas para interagirem socialmente, mesmo que o tema sirva apenas de pretexto para tal interatividade. Na tabela a seguir essa questão é exemplificada.

Tabela 4 – Décima comunidade da categoria Negócios

Considerou-se, até aqui, a característica da fragmentação. A seguir, será tratada a superficialidade, característica cultural conseqüente da fragmentação e também um dos componentes da contemporaneidade.

Relações superficiais: efemeridade

A superficialidade e conseqüentemente a efemeridade das relações sociais, refere-se às manifestações culturais coletivas como as festas rave, grandes espetáculos como uma partida de futebol, manifestações de rua e as comunidades ciberculturais18. Neste sentido, a efemeridade seria conseqüência das transformações citadas anteriormente, incluindo os movimentos sociais surgidos após a fragilização das metanarrativas; a valorização do consumo e a organização de grupos sociais ao redor dele; a disseminação rápida das novas tecnologias que propiciam novas formas de interação social; a maleabilidade do “eu” diante das escolhas e outros. Todos esses elementos exigiriam constante adaptação dos indivíduos às novas tribos, aos novos grupos, às novas necessidades de auto-imagem.

[...] o eu só é uma frágil construção, ele não tem substância própria, mas se produz através das situações e das experiências que o moldam num perpétuo jogo de esconde-esconde. A imagem é talvez um pouco forte, mas será que não ilustra as múltiplas mudanças que constituem um mesmo indivíduo? Por um lado, no decorrer de uma mesma existência, cada um muda diversas vezes. Variações, modificações, conversões, revoluções, inúmeros são os termos que traduzem essas mudanças. E elas afetam sua aparência física, de início, mas também suas representações, suas relações amicais ou amorosas, sem falar de sua vida profissional (Maffesoli, 1999, p. 304).

A sociedade contemporânea parece ser condescendente com as mudanças individuais. Políticos trocam de partido por discordância ideológica ou mesmo por interesses pessoais; admiradores de um gênero musical deixam de sê-lo ao crescer, mudar de cidade ou de classe social; modelos insatisfeitos(as) com seu corpo fazem cirurgias plásticas corretivas ou lipoaspiração; enfim, a efemeridade é uma característica do contexto da pós-modernidade. Maffesoli não acredita que essas mudanças sejam negativas e afirma que, ao usar o senso comum, o indivíduo, de uma forma talvez até não-consciente, pratica esse vaivém incessante de convicções:

[...] quando alguma coisa perde seu atrativo, passa-se, insensivelmente, a um outro objeto de referência, que vai ser revestido de veneração ou de atração. A moda está aí para prová-lo. Irá nascer, em conseqüência, uma outra forma de sensibilidade (Maffesoli, 1995, p. 26).

A identificação que gera conglomerados ao redor da moda, de estilos, de comunidades virtuais (Orkut) e de celebridades, implica o estar junto, mesmo que efêmero. Inúmeros objetos fascinam em certo momento e depois deixam de receber importância. O estilo, de acordo com Maffesoli (1995), é o caráter essencial de um sentimento coletivo. O estilo é uma “forma formante” (p. 26) que origina novas maneiras de ser, costumes, representações e modas, ou seja, aquilo através do qual se constitui a vida em sociedade. “O que é importante [...] não é o estilo de um indivíduo ou de uma arte isolada; são as formas e qualidades partilhadas por todas as artes de uma mesma cultura, durante um lapso de tempo significativo” (Maffesoli, 1995, p. 32). Maffesoli afirma que se trata de um tempo onde o estilo de fazer-em-comum várias atividades, como ver, sentir, amar e se entusiasmar, no presente, se impõe às representações racionais voltadas para o futuro. “O estilo é, antes de mais nada, o fato de só existir no e pelo olhar ou pela palavra do outro” (Maffesoli, 1995, p. 36).

Participar do Orkut e das comunidades é uma forma de valorizar o interesse comum, sempre buscando a interação e a inserção social. O usuário que não concorda com as idéias e a opinião da maioria, muitas vezes é banido do grupo, a menos que utilize “máscaras” para omitir seu verdadeiro “eu” e para se proteger, garantindo sua inclusão social e a ordem e o equilíbrio da tribo. A última interpretação a seguir ilustra essas questões.

Tabela 5 – Décima comunidade da categoria Jogos

Conclusões

Procurou-se refletir sobre a mediação das novas tecnologias de informação e de comunicação sobre as relações sociais contemporâneas (do mundo ocidental ou de países que se inserem nesta cultura). Possivelmente, estas tecnologias ajudam a estruturação de algumas características dessas relações, entre as quais a fragmentação e a efemeridade, com seus comportamentos associados, como por exemplo a disseminação das culturas de consumo, o hedonismo, a flexibilização de valores, os grupos de identificação e pertencimento relativos a moda, estilo ou etapa da vida, etc. Buscou-se analisar este contexto à luz das reflexões de Maffesoli (1995, 1999, 2000), Lemos (2003), Lyon (1995) e Lyotard (2002), sobre o que chamaram mundo pós-moderno, relacionado com uma sociedade em que os estilos de vida do consumidor e o consumo de massa dominam a vida dos seus membros, de acordo com as identificações de cada grupo, classe, etnia, idade, preferências. Com base nesses autores, apresentaram-se alguns resultados de análise feita ao longo do ano de 2005, sobre como estas características aparecem no site de relacionamentos Orkut, produzida a partir da observação de fragmentos de discursos variados, entre os quais os textos de apresentação das comunidades, os perfis públicos e as mensagens trocadas por membros de comunidades.

O Orkut gerou uma sociedade virtual que une pessoas de todos os perfis, mas que têm interesses comuns no convívio, na troca de idéias, no estar junto, no expor fatos (pessoais, ideológicos ou profissionais) que são recebidos e reconhecidos pelos outros nas suas comunidades. Neste sentido, está de acordo com uma das principais tendências de uso da internet: a busca efetiva de conexão social (e-mail, blogs, fóruns, webcams para uso pessoal e outros) (Lemos, 2003). A internet catalisou um grande valor que os indivíduos dão ao outro, o de afirmar-se nesse outro para afirmar seu próprio eu. Maffesoli (1995) considera que a sociedade está sendo tomada por modismos, onde quem participa ou adere a tais modismos se sente incluído, e para isso teria contribuído esta característica da internet. Os integrantes dessa rede sentem-se incluídos socialmente, pois podem participar de comunidades que satisfazem seus mais variados interesses e onde suas explanações são lidas e respondidas.

Os membros da rede de relacionamentos Orkut, com a exposição de suas idéias, seus conhecimentos, suas fotos (naturais ou manipuladas), suas características (informações pessoais, profissionais e comportamentais: opção sexual, crenças, gostos), sua personalidade, seu perfil, enfim, com a exposição de suas vidas, acabam alimentando inconscientemente o imaginário coletivo e participando ativamente de relações características da sociedade atual.

As pessoas procuram situações para vibrar em comum (Maffesoli, 2000) e o Orkut é uma tecnologia que atraiu a atenção dos usuários, favorecendo que criassem seus próprios totens, em torno dos quais estão juntos. Ferramentas como o Orkut servem para expor as idéias comuns a cada pequeno grupo de identificação, que contaminam e formam o cimento social dentro de cada um e no coletivo de grupos. Redes como essa são bem aceitas, pois seus usuários buscam o que lhes atrai, que seu imaginário reflete ou reconhece como algo que apraz. Possivelmente, o que está por trás dessa identificação é a vontade de fazer parte de algo maior, vontade de existir em uma coletividade, a busca pela visibilidade, do existir no olhar do outro, a busca pelo reconhecimento, do fortalecimento do eu pelo apoio do outro. Todas estas são aspirações comuns em todas as épocas, que encontram, na pós-modernidade, o território virtual de concretização, mesmo que de forma efêmera ou fragmentada.

Mesmo que os temas das comunidades sejam cotidianos, banais e superficiais, proporcionam interações e agregações sociais, além de trocas de informação e/ou mensagens necessárias para dinamizar a sociedade e agregar valor ao convívio social, reunindo os usuários através da lógica da identificação. O Orkut tornou-se um fenômeno de comunicação importante nas interações sociais e que potencializa a disseminação da informação. Essas interações são fundamentais dentro da contemporaneidade, pois refletem e, de certa forma, estruturam uma parte importante das relações que constituem a sociedade como um todo. Através delas, a comunicação social – espelho que reflete a dinâmica da sociedade – é otimizada: mais rápida, em maior número e sem necessitar o deslocamento dos atores.


Submetido: 26/02/2007, aceito: 30/09/2007.


NOTAS

1Flávia Ataide Pithan possui graduação em Desenho Industrial - Programação Visual pela UFSM e também bacharelado em Sistemas de Informação pela UNIFRA. É mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUCRS e doutoranda pelo mesmo programa. Professora titular do curso de graduação em Design Gráfico da UNIVATES e professora substituta do curso de graduação em Design da UFRGS. Rua Avelino Tallini, 171, Bairro Universitário, 95900-000, Lajeado, RS, Brasil. E-mail: fpithan@via-rs.net

2 Maria Isabel Timm possui graduação em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1982) e doutorado em Informática na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005). É jornalista do quadro técnico-administrativo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente coordena o setor de pesquisa e desenvolvimento em Tecnologia Educacional e Ensino à Distância do Centro de Supercomputação (CESUP) da UFRGS. Av. Osvaldo Aranha, 99 (fundos), 90035-190, Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: betatimm@ufrgs.br

3 www.orkut.com

4 O Brasil detém mais de 54% dos usuários do Orkut, contra os 19% dos Estados Unidos em segundo lugar e perto de 16% da Índia na terceira colocação.

5 Cabe salientar que este artigo apresenta uma síntese desses comportamentos e valores da pós-modernidade através do Orkut. A análise, na íntegra, foi apresentada na dissertação de mestrado de Pithan (2006).

6 Uma análise geral foi realizada com as cinco primeiras comunidades da primeira categoria, apenas para definir como a análise específica deveria ser desenvolvida. Para não direcionar o foco do interesse e evitar um viés tendencioso na pesquisa, o critério de seleção da comunidade a ser analisada foi definido aleatoriamente: optou-se por interpretar a décima comunidade de cada categoria.

7 Definiu-se também uma escolha aleatória de fragmentos de discurso, por data.

8 Van Dijk (2000) evidencia sua preocupação com uma análise do discurso que não se restrinja aos limites das sentenças e dos textos, não sendo, assim, dependente do contexto. Para ele, o estudo do discurso é “um campo interdisciplinar independente, no qual métodos e teorias puramente lingüísticos ou gramaticais se mesclam àqueles da etnografia, micro-sociologia e aos da psicologia” (Van Dijk, 2000, p. 11). Dessa forma, a interpretação dos discursos baseou-se nos textos referidos, mas sempre considerou um contexto mais amplo, como também o perfil do moderador de cada comunidade, as interações entre os usuários dentro da mesma e outros pressupostos estratégicos.

9 As autoras se abstêm de concordar ou discordar da idéia de “ideal comunitário”, uma vez que se trata de questão de crença ou opção (e não de uma verdade ontológica) e formulação relativa à existência de uma suposta situação ideal, em termos de comunidades primitivas. Apropriam-se unicamente da sua formulação, pelos autores utilizados.

10 Além de ativistas contra a centralização do poder da tecnologia, há muitos grupos de hackers que são simplesmente exploradores do ciberespaço, desenvolvendo estratégias de golpes e roubos.

11 Para maiores esclarecimentos sobre estes grupos sociais, consultar Lemos (2003), páginas 200 a 256.

12 Disponível em: www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5610, acessado em: 22 de agosto de 2007.

13 Disponível em: www.orkut.com/Community.aspx?cmm=41604, acessado em: 22 de agosto de 2007.

14 Embora o autor fale em sociedade moderna, parece óbvio que sua análise relaciona-se ao pós-moderno em discussão.

15 Com mais de 57 mil membros. Disponível em: www.orkut.com/Community.aspx?cmm=665633, acessado em: 22 de agosto de 2007.

16 Com mais de 48 mil membros. Disponível em: www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1340294, acessado em: 22 de agosto de 2007.

17 Com mais de 39 mil membros. Disponível em: www.orkut.com/Community.aspx?cmm=4056538, acessado em: 22 de agosto de 2007.

18 Com esta definição, se procura excluir da análise relações formais de trabalho, familiares, institucionais, entre outras.


REFERÊNCIAS

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