Verso e Reverso, Ano XXI - 2007/1 - Número 46

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Verso e Reverso [Correntes teóricas de estudo da comunicação]
Artigo

Correntes teóricas de estudo da comunicação


Carlos Araújo1

O problema de se buscar identificar a existência de um conhecimento científico sobre a comunicação avançou por praticamente todo o século XX e se coloca ainda hoje. Uma primeira questão, fundamental, diz respeito à diferença entre a literatura científica sobre comunicação e a literatura científica da (área de) comunicação.

Afinal, existe uma imensa quantidade de literatura científica sobre comunicação espalhada entre o conjunto de obras e trabalhos de várias ciências, desde as exatas e biológicas (trabalhos sobre engenharia de comunicações, quantificação de informações, técnicas de relacionamento interpessoal entre médicos e pacientes, semiologia médica, etc.) até as ciências sociais (estudos históricos sobre jornais, sobre influência da mídia nas eleições, importância econômica das empresas de comunicação). Qualquer manual de sociologia, por exemplo, vai elencar, entre os temas dessa ciência, a questão da comunicação.

Essa literatura não chega a constituir um campo científico específico. Nem tem essa intenção. Antes, ela aponta para o fato de ser a comunicação um objeto de estudo ou, pelo menos, um assunto de pesquisa nas várias disciplinas científicas constituídas.

De outro lado, desenvolve-se, ao longo do século XX, toda uma tradição de pesquisa científica que, de diferentes maneiras e em diferentes contextos, apresenta-se como sendo uma área específica, um campo científico, denominado comunicação. Um importante autor reconhecido como pertencente à área de comunicação, por exemplo, afirmava, na década de 1950, que

A teoria e a pesquisa da comunicação têm atraído (...) o interesse de psicólogos, sociólogos, antropólogos, cientistas políticos, economistas, matemáticos, historiadores e lingüistas e, de todos esses setores e de muitos outros. Ele tem representado uma encruzilhada acadêmica onde muitos passam, mas poucos se detêm” (Schramm, 1964, p. 10).

Esse mesmo autor, mais adiante, apresenta os quatro “pais fundadores” da pesquisa em comunicação nos Estados Unidos: dois deles são psicólogos, um é sociólogo e o outro cientista político. É claro que, ao tratar do nascimento de um campo, o autor se refere a pesquisadores que possuíam formação em outros campos do saber – já que o campo da comunicação não existia ainda.

Na verdade, a questão de ser a comunicação um campo científico autônomo ou não é polêmica, e existem diversos autores a defender posições tanto de um lado como de outro. Não é objetivo deste texto problematizar tal questão, mas, sim, analisar o corpo de conhecimentos produzido na área identificada normalmente como a área da comunicação. Para tanto, foram analisados diversos manuais de teoria da comunicação, pois se partiu do pressuposto de que eles poderiam servir como a referência do conjunto de conhecimentos produzidos nesse campo.

Um primeiro resultado da consulta a esses manuais foi a percepção de que não só inexiste um consenso sobre o que é comunicação como o pensamento sobre a comunicação é marcado pela existência de diferentes correntes teóricas, cada uma delas com uma apreensão própria do fenômeno, com termos próprios relativos à comunicação. Isso quer dizer que não existe uma única teoria da comunicação, nem essa é o resultado de uma acumulação de conhecimentos e idéias que se conectam, como podem evidenciar certos trechos desses manuais:

A longa tradição de análise (sinteticamente designada pelo termo communication research) acompanhou os diversos problemas que iam aflorando, atravessando perspectivas e disciplinas, multiplicando hipóteses e abordagens (Wolf, 1995).

Também Mattelart e Mattelart (1999) ressaltam a variedade de disciplinas que se ocuparam da comunicação, as dificuldades envolvidas na busca de sua legitimidade acadêmica e científica e os diversos termos e problemas que se apresentaram para as várias escolas, correntes e tendências surgidas ao longo do século. Sobre a forma de apresentar e ordenar esse conjunto de teorias, escrevem os autores que o conjunto dessas tensões e antagonismos.

(...) invalida toda a abordagem excessivamente cronológica de uma história das teorias. Fluxo e refluxo de problemáticas impedem que se conceba essa trajetória de modo linear. Se esta obra segue um princípio de ordenamento mínimo por ordem de surgimento dessas escolas, correntes e tendências, pretende insistir na circularidade das problemáticas de pesquisa (p. 10).

Os mesmos autores destacam ainda:

A história das teorias da comunicação é a história de separações e das diversas tentativas de articular ou não os termos do que freqüentemente surgiu sob forma de dicotomias e oposições binárias, mais do que de níveis de análise. Invariavelmente, em contextos históricos diversos, essas tensões e antagonismos, fontes de exclusão, não deixaram de se manifestar, dividindo escolas, correntes e tendências (Mattelart e Mattelart, 1999).

Se existem várias correntes teóricas sobre a comunicação, torna-se um problema saber como proceder a uma escolha de quais são aquelas relevantes para uma adequada compreensão da área. Evidencia-se aí, então, mais uma vez, a utilidade de se consultar os vários manuais existentes. Afinal,

(...) o volume da produção que, de uma maneira ou de outra, se enquadra como Teoria da Comunicação é imenso. A partir da década de 50, em especial, esta produção, ainda que de qualidade oscilante, atinge um crescimento vertiginoso. Mesmo o mais disciplinado estudioso é incapaz de acompanhar sistematicamente tudo o que acaba sendo produzido e publicado na área (...) O impasse diante de algo tão grande, tangenciando as “fronteiras do conhecimento humano”, tem algo de trágico. É o paradoxo da amplitude paralisadora, trazendo o “desânimo ou a desistência” (Rocha, 1995).

Outros autores também concordam que mapear ou inventariar a literatura científica em comunicação é uma tarefa praticamente impossível, pois trata-se, o pensamento sobre a comunicação, de

(...) um conjunto de conhecimentos, métodos e pontos de vista tão heterogêneos e discordantes que tornam não só difícil mas porventura também insensata qualquer tentativa para se conseguir uma síntese satisfatória e exaustiva. Se, todavia, se renunciar a seguir todas as correntes de pesquisa para se expor “apenas” as tendências mais difundidas e consolidadas daquilo que, neste complexo domínio, se transformou ou está a transformar em “tradição” de estudo, a tentativa parece então ser possível (Wolf, 1995).

Com base no que foi verificado acima, isto é, na existência de diferentes correntes e tradições de pesquisa sobre a comunicação, buscou-se uma delimitação desse campo científico em termos de suas várias escolas de pensamento, com suas idéias, conceitos, métodos. Afinal, pode-se constatar, numa primeira aproximação junto aos manuais, que, no vasto conjunto de produção científica sobre e da comunicação, a própria noção de comunicação é múltipla, adquirindo variadas conotações e sentidos. Há correntes teóricas opostas e até inconciliáveis. Privilegiando-se manuais que apresentam várias correntes (e que têm como preocupação abrigar a diversidade de pontos de vista) é possível buscar garantir um olhar mais abrangente sobre o campo da comunicação, que traga exatamente as várias idéias formuladas para definir o objeto, os vários métodos de pesquisa empregados, os vários contextos sócio-históricos e teórico-epistemológicos de onde se originaram.

Critérios para a escolha dos manuais de teoria da comunicação

Na análise realizada com os manuais de teoria da comunicação, é importante destacar o que se entende por “manual de teoria da comunicação”. Não foram consideradas obras que apresentem uma única teorização sobre comunicação (com histórico de seu surgimento como fenômeno, suas tipologias, seus elementos internos, processos, etc). O que interessa para esse trabalho são as obras que se preocupam em apresentar as diversas teorias ou correntes teóricas que compõem a teoria da comunicação, apresentar a constituição do campo, inclusive histórica e geograficamente, isto é, apontando autores e contribuições de diferentes países e ao longo de várias épocas.

Para a obtenção de uma lista de quais são os manuais de teoria da comunicação existentes, foi feita uma busca nas bibliografias de disciplinas de teoria da comunicação de faculdades de todo o país; nos catálogos de editoras nacionais que trabalham com livros de ciências sociais e humanas; nos estandes de livros de eventos científicos da área; nos acervos das bibliotecas de todas as universidades brasileiras que possuem programas de pós-graduação em comunicação. Foram selecionados, num primeiro momento, todos os livros que possuem as expressões “teoria da comunicação” ou “teorias da comunicação” no título ou subtítulo. Durante o processo de busca, foram encontrados alguns outros sobre teoria da comunicação, embora essa expressão não conste dos títulos, e estes foram acrescentados aos já selecionados.

Os livros encontrados a partir desses procedimentos foram todos consultados para conferência do fato de serem ou não manuais de teoria da comunicação. No caso de livros estrangeiros que ainda não foram publicados por editoras brasileiras, foram considerados apenas aqueles disponíveis nas bibliotecas consultadas.

Alguns critérios foram necessários, num segundo momento, para que não se incluísse na análise todo tipo de trabalho sobre comunicação ou que se intitule manual de teoria da comunicação. Esses critérios são apresentados a seguir. O primeiro é a abrangência: espera-se que seja um manual que tenha abrangência geográfica e temática, isto é, um manual de teoria da comunicação que sumarize apenas as pesquisas de um único país ou continente, ou apenas de uma área ou assunto da comunicação (por exemplo, jornalismo, cinema, efeitos, “comunicação e política”), não será considerado. Foram considerados para análise apenas aqueles manuais que compreendem estudos de vários países, várias épocas, e sobre os diferentes asssuntos (profissões, meios, processos) da comunicação.

O segundo critério é o de exclusividade da tarefa de inventariar as teorias da comunicação. Trabalhos que realizam um mapeamento das teorias apenas como requisito para outro objetivo, ou como atividade secundária, não foram considerados para a presente análise.

O terceiro critério diz respeito à pretensão de sistematização e completude. Obras que busquem apresentar apenas algumas teorias da comunicação (não necessariamente as mais representativas, mas escolhidas aleatoriamente ou por alguma razão específica) foram desconsideradas. Sabe-se que é impossível que um manual contenha todas as teorias e correntes existentes, mas espera-se dele a preocupação com o todo, a intenção de produzir ao menos um panorama extenso e, desse panorama, escolher algumas para desenvolver, explicar e/ou descrever. Da mesma forma, serão desconsiderados trabalhos que apresentem teorias sem estabelecer relações entre elas, sem organizá-las num todo a partir do qual façam sentido.

Foram excluídos da análise diversos livros que não atendiam a esses critérios. Em primeiro lugar, aqueles sobre teoria da comunicação que representam a visão que o autor possui sobre o que é comunicação, seus elementos, temas, questões e problemas. É o caso dos livros de Bougnoux, Enzensberger, Doria e Doria, Moreira, Pereira, Dimbleby e Burton, Beltrão e Quirino, Fiske. Em comum, esses livros não fazem apanhados de teorias mas explicações próprias de aspectos da comunicação, isto é, apresentam a “sua própria” teoria da comunicação, ainda que recorrendo a distintos autores. Ou, então, apresentam discussões sobre as teorias da comunicação a partir de grandes temas, ainda que incluam a apresentação específica de algumas teorias.

Poderia se objetar que o argumento que exclui esses manuais valeria para o de McQuail. Cabe aqui uma explicação: o manual de McQuail possui um capítulo específico que inventaria a evolução das teorias da comunicação, ainda que o livro, como um todo, esteja organizado por grandes temas (produtores da comunicação, mensagens, audiência, efeitos).

A partir de um critério bastante semelhante ao anterior, foram excluídos livros que possuem um outro objetivo qualquer (estudo de um fenômeno específico de comunicação, por exemplo) e que realizam, em algum momento, uma revisão das teorias da comunicação. É o caso, entre outros, dos livros de Rocha, Barros Filho, Sfez.

Manuais de teoria da comunicação setoriais, isto é, que limitam o escopo de sua sistematização, também foram eliminados. O caso mais importante, nesse sentido, é o manual de DeFleur e Ball-Rokeach que, embora citado em praticamente todos os manuais de teoria da comunicação posteriores e seja um livro extremamente detalhado, se restringe ao pensamento norte-americano. Apenas são incluídos teorias e autores de outros países no caso de contribuições das áreas de sociologia, psicologia e filosofia. Não são analisadas teorias da comunicação de outros países, o que mostra que se trata de um manual com uma abrangência específica e, por isso mesmo, bastante diferente dos demais – apesar de ser um eficiente manual sistemático sobre a teoria da comunicação norte-americana. Caso semelhante é o do manual de Littlejohn, no qual há autores de outros países citados, como Aristóteles, Cassirer, Gadamer, Wittgenstein, Weber, mas sempre como inspiradores de correntes teóricas norte-americanas, isto é, sua presença não aparece no elenco das teorias da comunicação mas como pensadores que contribuíram para a formulação das teorias. O mesmo critério fez com que, nos manuais selecionados para análise, fossem excluídos capítulos que detalham a situação da teoria da comunicação no país de origem do autor e/ou do livro (por exemplo, o caso da Argentina, no manual de Entel, ou da Espanha, no de Moragas Spà).

Também por serem manuais restritos a certos campos, foram excluídos alguns livros como o de Traquina. É um livro que organiza sistematicamente diversas teorias, mas apenas do jornalismo. Argumento semelhante poderia ser evocado contra o manual de Sousa, com uma diferença: o citado manual, apesar de se dizer específico de jornalismo, abrange toda a comunicação, o que pode se confirmar com outro livro do mesmo autor, publicado três anos depois, sobre comunicação, e que possui praticamente as mesmas correntes teóricas. Enfim, a partir desse mesmo critério de exclusão foram suprimidos os livros de Rubim (restrito à área de “comunicação e política”) e Andrews (restrito às teorias da área de cinema).

Por fim, foram descartados manuais de introdução à comunicação ou livros de teoria da comunicação que, embora com preocupação didática ou para auxiliar o leitor na “entrada ao campo da comunicação”, consistem em coletâneas de textos de variados autores. Assim, mesmo coletâneas em que se pode perceber a preocupação, por parte do organizador, em aglutinar autores representativos de diferentes correntes e, ainda, organizar os textos em seções temáticas definidas teoricamente, foram descartados. Nesse caso se incluem coletâneas nacionais (Cohn, Lima) como estrangeiras (Mortensen, Dance, Crowley e Mitchell, Bougnoux, Tompkins, Schramm, Marris e Thornham), apesar de sua grande importância em disciplinas de teoria da comunicação e mesmo na promoção de certo consenso sobre os autores mais importantes da área.

Após todas essas exclusões, a lista de manuais de teoria da comunicação ficou restrita a 18 títulos, que podem ser vistos no QUADRO 1. Esses manuais são de procedências diversas. Nove deles são estrangeiros (de autores vinculados a instituições e tradições de pesquisa da Itália, França, Portugal, Espanha, Inglaterra, Argentina e Canadá) e nove são brasileiros (de autores vinculados a instituições de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Brasília, Rio de Janeiro). A diversidade de procedência geográfica se completa com as diferentes filiações e pontos de vista teóricos: há autores ligados à semiótica, à experiência chilena do governo Allende nos anos 70, aos estudos europeus sobre as indústrias culturais, aos estudos culturais, ao jornalismo, ao catolicismo, à área de política e legislação de comunicações, à literatura, às ciências sociais, entre outros. Entre os manuais estrangeiros, cinco não tiveram tradução para a língua portuguesa - são eles os manuais escritos por Moragas Spà, McQuail, Lazar, Entel e Attalah.

Quadro 1: Manuais de teoria da comunicação analisados

Critérios para organização dos autores em escolas e das escolas entre si

Os autores dos manuais selecionados possuem diferentes concepções sobre o que é uma escola, uma corrente, uma perspectiva, uma teoria e mesmo um paradigma. Daí resultam usos diferentes (afinal, esses termos não têm o mesmo significado nem são naturalmente intercambiáveis). Alguns autores explicitam os critérios a partir do qual elencam teorias da comunicação. Miège, por exemplo, as divide em três grupos conforme um arranjo cronológico: correntes fundadoras (anos 50 e 60), ampliação das problemáticas (anos 70 e 80) e questionamentos atuais. Polistchuk e Trinta as dividem conforme sete “paradigmas” (funcionalista, matemático, crítico, dialético, culturológico, midiológico e tecnológico). Moragas Spà utiliza um arranjo geográfico (Estados Unidos, União Soviética e países socialistas, Finlândia, Inglaterra, Alemanha, França, América Latina e Espanha). Lazar utiliza uma divisão por correntes teóricas (funcionalista, crítica e outras). Santaella por tradições (Mass communication research e seus desdobramentos, teorias críticas, modelos do processo comunicativo e correntes culturológicas e midiáticas). McQuail as divide conforme temáticas (enfoque totalizadores, centrados na mensagem, centrados na audiência, centrados nos efeitos). Wolf apresenta uma combinação de três critérios:

A apresentação e a análise das diversas teorias não segue apenas um critério cronológico; estão também ordenadas segundo outras três determinações: a) o contexto social, histórico e econômico em que um determinado modelo teórico sobre as comunicações de massa apareceu e se difundiu; b) o tipo de teoria social pressuposta, ou explicitamente evocada (...); c) o modelo de processo comunicativo que cada teoria dos meios de comunicação apresenta (Wolf, 1995).

Por fim, França realiza uma discussão sobre os critérios de organização utilizados por outros autores, suas limitações e, a seguir, apresenta aquele de que se utiliza:

A teoria da comunicação se caracteriza sobretudo pela heterogeneidade das correntes e concepções que abriga. É tarefa difícil perceber traços de identidade que permitam agrupá-las de forma organizada e coerente. (...) Ainda assim, é possível buscar formas de sistematização, e várias tentativas são feitas nesse sentido. Uma classificação mais global e genérica divide as várias correntes e estudos em dois grandes blocos, segundo se inscrevam sob a égide dos paradigmas da ordem ou do conflito (...). Uma outra forma de apresentação promove um agrupamento dos estudos por países e/ou institutos de pesquisa. Por esse caminho, fala-se na Escola Americana, Escola Francesa, Escola Italiana (...). Costuma-se ainda buscar um agrupamento das linhas de pesquisa segundo a sua filiação nas distintas correntes de pensamento. Encontraríamos aí, então, três correntes principais: a funcionalista, a estruturalista, a marxista. (...) Uma outra forma possível de ordenação pode ser construída pelo agrupamento temático. (...) Assim é que poderíamos falar (a) no processo comunicativo, (b) nas mensagens, (c) na recepção, (d) na produção social da comunicação (...) (França, 1994).

Deve-se salientar, assim, que nenhuma tentativa de sistematização das teorias da comunicação é definitiva ou absolutamente perfeita. Antes, ao tentar enquadrar e organizar um conjunto tão heterogêneo e de conteúdos de natureza tão distinta, cada forma de organização tende a forçar certas identificações em alguns momentos, agrupar autores heterogêneos numa mesma corrente, apresentar correntes que não estão muito bem definidas.

Todavia, esse esforço é realizado e a análise a seguir procura ver quais as teorias listadas por eles e perceber se existe um maior consenso entre os autores (sobre quais são as teorias da comunicação) ou não, se cada autor tem uma visão particular bastante diferente das demais.

Tendências e regularidades dos manuais analisados

Apesar da variedade quanto à procedência e à filiação teórica dos autores dos manuais analisados, o que a análise evidenciou foi uma grande semelhança entre as várias “listagens” de correntes teóricas da comunicação, o que parece mostrar que existe um relativo consenso sobre quais são os autores e as escolas que compõem o campo da comunicação. Isso se deve, naturalmente, também ao fato de uns influenciarem os outros – os autores mais recentes utilizam os inventários de seus predecessores.

Além disso, o princípio de ordenamento dessas correntes varia muito de um manual para outro. De toda forma, a análise mostrou que a maior parte das correntes teóricas citadas se repete em vários manuais; uma quantidade menor se repete em alguns manuais; e uma quantidade menor ainda mostra-se presente em apenas um ou dois manuais.

O quadro 2 apresenta as diversas correntes teóricas da comunicação e sua presença em cada um dos manuais analisados.

Quadro 2: Correntes teóricas da Comunicação presentes em cada um dos manuais de Teoria da comunicação analisados

Já a delimitação dos autores e do contexto (país de origem e época) de cada teoria, para facilitar sua identificação, é apresentado a seguir, no Quadro 2:

Quadro 3: Identificação das correntes teóricas da Comunicação por nomes dos pesquisadores, país de surgimento/desenvolvimento e época

A montagem do quadro acima e a indicação de sua presença ou não nos manuais requer uma série de explicações. Primeiramente, mostrou-se freqüente nos manuais serem apresentados autores ou correntes teóricas que não são da área de comunicação, evidenciando esse fato, mas inserindo-as pela importância ou impacto que tiveram na evolução das teorias da comunicação. Essas correntes e autores são, entre outros: “Cibernética” (Wiener), “Teoria dos sistemas” (Bertalanffy), “Escola de Constança” (Jauss, Iser), “Teoria da auto-poiese” (Maturana e Varela), “Teoria da hegemonia” (Gramsci e sucessores como Althusser e Poulantzas), “Estruturalismo” (Lévi-Strauss, Foucault), “Análise do discurso” (Pêcheux, Benveniste), “Teoria da sociedade de massas” (LeBon, Ortega y Gasset), “Teoria da ação social” (Parsons). Alguns deles, ressalte-se,, mostraram-se bastante freqüentes, em até cinco manuais diferentes.

Na mesma linha de raciocínio foram retirados agrupamentos de autores que não constituem uma corrente, mas um tema de debates que afetam a comunicação. É o caso das discussões sobre a “sociedade global” (Brzezinski, Porat, Nora, Minc, Stourdzé, Ellul, Fukuyama, Drucker, Ortiz, Canclini), sobre a “pós-modernidade” (Lyotard, Bell, Jameson, Maffesoli, Lipovetsky, Virilio) e da polêmica envolvendo os “Apocalípticos e integrados” (MacDonald, Shils, Bell) que, em alguns manuais, aparecem com “status” de corrente teórica. Também foi eliminado o movimento da “Reviravolta lingüística” que une trabalhos como os de Austin, Wittgenstein, Berger e Luckmann, apesar de sua alta incidência.

Foram retiradas, também, duas correntes teóricas por não possuírem uma delimitação clara de autores e mesmo de perspectiva teórica. A primeira delas são os “primeiros estudos na América Latina”. Embora alguns manuais apresentem essa corrente como funcionalista,, inspirada pela pesquisa norte-americana, nenhum manual apresentou qualquer nome de pesquisador dessa corrente. A segunda são os “primeiros estudos na Europa”. Embora os manuais que os citam apresentem nomes de alguns pesquisadores (Groth, Dovifat, Fattorello, Terrou, Baschwitz, Kayser, Alberoni) e a época de seus estudos (décadas de 1910, 1920, 1930), não há uma visão de comunicação ou modelo teórico que os unifique a ponto de formar uma corrente específica de estudos.

Em segundo lugar, há teorias que aparecem em apenas um ou dois manuais. Depois de se conferir que não apareciam em nenhum outro, foram excluídas do quadro acima. São exemplos dessa situação: “Escola tecno-evolucionista” (Toffler), “Antropologia das ciências e das técnicas” (Latour e Callon), “Análise genealógica” (Certeau), “Teoria autoritária” (Siebert), “Teoria da liberdade de imprensa” (Smith, Curran, Seaton, Rivers, Sola Pool), “Teoria da responsabilidade social” (Hutchins), “Teoria dos controles normativos” (Geiger, Sokol, Hedinsson, Brown, Linné), “Escola soviética” (Zassursky, Lotman), “Escola polonesa” (Pisarek, Tetelowska, Dubiel, Dziki), “Glasgow Media Group”, “Teoria da dependência” (DeFleur e Ball-Rokeach), “Publicística” (Jäger, Dovifat, Meletzke, Silbermann, Prakke). Também o panorama que faz Sousa dos estudos em Portugal e na Espanha, ou o de Moragas Spà sobre a Espanha, foram retirados por buscarem apresentar o estágio das pesquisas em um país e não correntes teóricas.

Há, ainda, autores e correntes que são apresentados de formas diferentes, ora agrupados, ora separados. McLuhan, por exemplo, aparece várias vezes sozinho sob o rótulo de “pensamento mcluhiano”. Algumas vezes ele aparece dentro de uma “corrente midiológica” ao lado de nomes como Debray e Goody. E em outras vezes ele aparece como membro de uma “Escola canadense” junto com Innis, seu antecessor, e sucessores como Meyrowitz e Haveloch. Na classificação acima privilegiou-se essa última entrada.

Da mesma forma, autores como Lévy, Debray, Goody, Virilio, Vattimo, Guattari, Ellul, Breton, Bougnoux e Castells aparecem freqüentemente separados, mas todos relacionados com a temática da comunicação como tecnologia, da dimensão material dos meios, da virtualidade, das redes. Embora não compondo uma escola de pensamento, foram agrupados juntos em virtude de estarem próximos na maioria dos manuais.

Já os autores Baudrillard, Debord e Sfez, todos franceses, possuem grande freqüência nos manuais, mas, normalmente, separados, ou apenas dois deles juntos, sempre com uma temática relativa à crítica à comunicação. Foram assim agrupados juntos.

Alguns manuais são mais minuciosos que outros na separação de escolas. Em alguns manuais encontra-se apenas “Mass communication research” designando todo o conjunto de estudos. Em outros casos há uma divisão apenas entre “Funcionalismo” e “Efeitos” e, em outros, os estudos sobre os efeitos são divididos em dois grupos, “Estudos empíricos de campo” (ou “Teoria do two-step flow of communication” ou “Influência interpessoal”) e “Abordagem da persuasão” (ou “Psicologia dos efeitos”, ou “Decisão de grupo”). Essa divisão foi mantida no esquema, mas foram negligenciadas novas divisões como no manual de Santaella, em que a “Abordagem da persuasão” é dividida em “Teoria da dissonância cognitiva”, “Teoria do equilíbrio”, “Teoria simétrica” e “Teoria da congruência”. A “Análise de conteúdo” também aparece apenas algumas vezes como corrente distinta, integrando, na maior parte das vezes, a “Mass communication research”.

A apresentação da “Escola Francesa” foi uma das mais problemáticas. Algumas vezes há a referência a uma única corrente deste país mas, na maior parte, há uma distinção entre os estudos “Culturológicos” ou de “Sociologia da cultura de massas” (Morin, Friedmann) e a “Semiologia” (Barthes, Greimas, Metz) embora ambos tenham surgido na mesma época, se reunido em torno de um mesmo centro (o Cecmas) e sofrido forte inspiração estruturalista. Alguns manuais citam apenas uma delas, outros citam as duas. Além disso, como na Itália também foram desenvolvidos vários estudos de orientação semiológica e estruturalista, é comum encontrar Barthes e Eco numa mesma corrente teórica. No esquema acima preferiu-se designar uma “Escola italiana” (Eco, Fabbri, Bettetini). O manual de Moragas Spà refere-se a outros estudos na Itália além dessa corrente, mas foram desconsideradas por aparecerem apenas nesse manual. O manual de Attalah é o único que separa “Estruturalismo” de “Semiologia”.

Também no caso da Inglaterra há diferenças. É bastante comum encontrar a referência à “Escola de Birmingham” ou aos “Estudos culturais” (Williams, Hall). O manual de Moragas Spà chega a falar em centros de Leeds, Londres e Leicester. Como os autores dessas correntes estão inseridos em “Economia política da comunicação” e “Usos e gratificações”, optou-se por acomodá-los nessas e suprimir a identificação de outras correntes teóricas inglesas. Ainda sobre Birmingham, é comum a referência aos autores que deram continuidade ao seu trabalho (Morley, Radway, Ang) dentro da mesma corrente ou, então, formando um campo de estudo específico, de “Recepção” ou “Etnografia das audiências”. Optou-se por essa última forma de classificação, que incorpora inclusive alguns estudos de fora da Inglaterra.

Há “Estudos culturais” em outros dois locais geográficos: nos Estados Unidos e na América Latina. Como praticamente todos os manuais fazem essa distinção na forma de correntes diferentes, manteve-se a distinção.

Há uma grande corrente de estudos, que congrega pesquisadores de vários países, marcada pela influência da economia política. Alguns manuais fazem uma nítida separação entre estudos sobre o fluxo desigual de informações, denunciando o “Imperialismo cultural” a partir de uma perspectiva marxista (Schiller, A. e M. Mattelart, Golding, Murdock, Varis, Nordenstreng) e outros relativos às “Indústrias culturais” na Europa (Miège, Bustamante, Garnham, Cesareo). Foi mantida a diferença no esquema adotado, embora a maior parte dos manuais não estabeleça essa diferença – citando apenas uma delas ou as misturando. Ressalte-se ainda que, no caso de alguns manuais (por exemplo, Moragas Spà) os autores dessa corrente foram separados por país (Finlândia, Estados Unidos, Inglaterra).

Há três correntes teóricas que costumam aparecer misturadas: “Escola de Chicago” (Park, Cooley, Burgess), “Interacionismo simbólico” (Blumer, Kuhn, Goffman) e “Etnometodologia” (Garfinkel, Sacks, Cicourel). Como os manuais estabelecem marcos temporais e de autores distintos, optou-se por manter a separação.

Habermas, pertencente à segunda geração da “Escola de Frankfurt”, é algumas vezes agrupado junto a eles (por exemplo, no manual de Santos). Na maior parte dos manuais, contudo, é visto separadamente, como autor da “Teoria da ação comunicativa”. Decidiu-se mantê-lo separado.

No caso de “Semiótica”, registrou-se uma enorme diversidade de aplicações. O termo refere-se, muitas vezes, às idéias de Peirce. Noutras, é usado como sinônimo de “Semiologia”. Às vezes se refere à “Escola semiológica” francesa ou à “Escola italiana”. Em alguns manuais (Rüdiger) é explicitamente classificada como uma teoria não pertencente à comunicação. Optou-se por mantê-la, indicando sua freqüência apenas nas referências explícitas a ela. Também a “Escola de Palo Alto” foi citada e propositalmente não incluída em alguns manuais (Rüdiger, Santaella).

A “Teoria matemática” possui uma grande ocorrência mas, principalmente, aparece quase sempre como um modelo, e não exatamente como corrente teórica – mas foi contada assim mesmo. A “Semiótica” e a “Escola de Palo Alto” também aparecem como modelos em alguns manuais.

Aliás, três manuais (Santaella, França, Gomes) apresentam, separadamente, os “Modelos” da comunicação como se fossem uma corrente separada. Como constituem tradições teóricas muito distintas, foram desconsiderados enquanto modelos e inseridos nas respectivas correntes teóricas.

Alguns autores são sempre apresentados apenas como inspiradores de correntes teóricas que se desenvolveram posteriormente. É o caso, já citado, de Peirce (Semiótica) e também de Saussure (Lingüística), Schutz (Fenomenologia), Marx (abordagens marxistas), entre outros.

No caso da América Latina, é consensual a divisão em três épocas. Uma primeira, de inspiração norte-americana (mas nenhum manual cita qualquer autor dessa corrente). Uma segunda, marcada por inspiração marxista, preocupada com a “Dependência” e o “Imperialismo cultural” (A. e M. Mattelart, Somavía, Fox de Cardona, Dorfman) e uma terceira, de “Estudos culturais” voltada para o estudo das “Mediações” (Barbero, Canclini, Orozco Gómez). Alguns autores, contudo, enxergam, na segunda corrente, uma subdivisão composta por autores ligados à “Comunicação horizontal” ou “Dialógica” (Freire, Pasquali). Optou-se por manter essa divisão.

Também a “Perspectiva marxista” resultou de um agrupamento de autores distintos (de épocas e contextos diferentes), mas que foram, todos, identificados como autores que formularam teorias marxistas a respeito da comunicação. Inclusive Bakhtin, que foi mais identificado pela sua perspectiva marxista do que junto aos autores e correntes de estudo dos fenômenos da linguagem (exceto no manual dos Mattelart).

Por fim, destaca-se o tratamento diferenciado que as teorias tiveram nos manuais: algumas são apenas citadas (em nota de rodapé ou com o nome no texto), outras são bem localizadas (com nomes de autores, datas, institutos e características teóricas), outras têm seu referencial teórico bastante detalhado e explicado e há, ainda, algumas que ocupam mais de um capítulo no manual (por exemplo, “Palo Alto” e “Teoria da ação comunicativa” no manual de Attalah). Tal tratamento diferenciado sugere pesos e importâncias diferentes para as várias teorias da comunicação. A análise aqui empreendida não teve como considerar essa variável, contabilizando apenas a presença ou ausência de referências à corrente teórica no manual. E, ainda, teorias citadas sem indicação de autores, datas ou institutos de pesquisa (como várias no manual de McQuail, por exemplo) foram desconsideradas.

Apontamentos finais

Nos termos do que foi discutido acima, pode-se perceber que o quadro teórico básico da comunicação se vê sintetizado em 38 teorias, que significam, em princípio (apenas em princípio porque, na verdade, há muitos casos de teorias que partilham da mesma construção e problematização do objeto, podendo ser agrupadas), 38 formas diferentes de se estudar a comunicação. Isso quer dizer que é possível se estudar a comunicação enquanto uma “função” no todo social, enquanto “indústria cultural”, centrar-se nos seus efeitos sociológicos, na sua relação com a cultura, na sua dimensão técnica, entre outros. Cada corrente teórica apresenta sua perspectiva de estudo da comunicação, com seus conceitos, sua terminologia, seu desenho do fenômeno comunicativo.

O presente trabalho de análise dos manuais de teoria da comunicação é parte de um trabalho maior voltado para a construção de um amplo sistema de classificação para a área de Comunicação – que, inclusive, depois de formulado, foi aplicado a um conjunto de 754 dissertações e teses da área. Para a construção desse sistema, mostrou-se fundamental ter clareza sobre essa diversidade teórica que caracteriza a área e contemplá-la, pois, dependendo de qual corrente teórica está sendo adotada, a lista de termos e conceitos relativos à comunicação vai variar, bem como as relações entre eles. Assim, qualquer tentativa de se classificar a comunicação, de se trabalhar com seu campo de pesquisa, deve, necessariamente, contemplar sua diversidade – que não deve ser tomada como fator limitador do campo, mas como frutífera profusão de pontos de vista e abordagens.


NOTAS

1 Professor adjunto da Escola de Ciência da Informação da UFMG. Doutor em Ciência da Informação, mestre em Comunicação Social, jornalista. Membro do GRIS, Grupo de Pesquisa em Imagem e Sociabilidade da UFMG.


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